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Começa uma nova era na Bahia

Publicado em: 22/02/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os sorrisos demonstram a sintonia e cordialidade nas relações entre o presidente da Assembléia Legislativa e o governador da Bahia
Foto:

Íntegra do discurso do governador Jaques Wagner:

 

"Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados

 

É uma honra estar aqui, pela primeira vez, na abertura da 1a sessão legislativa da 16a legislatura. Sinto-me emocionado de voltar a esta Casa, onde no dia 1o de janeiro fui empossado governador, depois de eleito pela vontade de milhões de baianos. O resultado das eleições nos impõe uma grande responsabilidade – o começo de um novo tempo político.

Nesse momento, de tanta importância, quero abraçar a todos os baianos e baianas e firmar o compromisso solene de dedicar cada minuto de minha vida, nesses próximos quatro anos, a melhorar as condições de existência da população baiana.

 

"Os que não sentiram a voz do povo clamando mudança, estes não sabem mais o que são os sentimentos profundos da nossa gente"

 

Os que não sentiram a voz do povo clamando mudança, estes não sabem mais o que são os sentimentos profundos da nossa gente. Não compreenderam o significado dos quatro anos do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem a força da sua reeleição. Devo ao povo a honra de ser governador. Porque veio do povo a certeza de que nossa história estava mudando.

As urnas não derrotaram um governador. Derrotaram um sistema de autoritarismo, incompetência, falta de transparência desses anos de domínio oligárquico. Derrotaram a insensibilidade com o social, o desrespeito com o povo mais humilde da Bahia.

Cabe a nós agora tirarmos as lições deste resultado. Porque todo resultado eleitoral pode ser bom ou ruim. Depende de como os perdedores e vencedores interpretam a vontade das urnas. Essa reflexão é que fará de todos nós eleitos, verdadeiros vencedores.

Sempre me estimulou a capacidade do nosso povo de ser alegre, de manter o sorriso aberto, de festejar, mesmo enfrentando tantas dificuldades. Por isso, convoco parlamentares, empresários, trabalhadores a se unir ao nosso compromisso, ao compromisso de fazermos da nossa Bahia a terra de todos nós.

Fui acolhido pelo povo baiano em 1974. Aqui, vivi os movimentos populares e sindicais. Com os baianos fundei meu partido, o PT, em 1980. Morei no Subúrbio Ferroviário, Fazenda Grande, Soledade, Engenho Velho de Brotas, Amaralina e Vila Matos. O convívio com essa vizinhança me fez conhecer as alegrias, as dores e as esperanças do povo mais pobre de Salvador.

Foi esse conhecimento, essa intimidade com a alma da nossa gente que me garantiram compreender, às vezes, solitariamente, que a reviravolta estava próxima. Muitas vezes eu era visto como um otimista exagerado, até mesmo como um louco caminhando em direção a moinhos de vento. Mas eu sabia que não tardava a hora de encerrar-se um longo e lamentável ciclo de autoritarismo e exclusão.

Esse povo é alegre, mas é de luta. É bravo. Rebelde. Foi assim na resistência à escravidão, na Revolução dos Alfaiates, na Revolta dos Malês, na consolidação da Independência Nacional no 2 de Julho.

A luta dos operários desde o início do século XX, as mobilizações dos trabalhadores da Petrobrás, as lutas dos petroquímicos, a atividade incessante dos sem-terra, dos movimentos negros, das mulheres, dos índios, a luta dos jovens contra a opressão, tudo isso evidencia a rebeldia, insubmissão, a cidadania crescente do nosso povo.

Por toda essa trajetória, senhor presidente Marcelo Nilo, senhoras e senhores deputados, considero nossa responsabilidade imensa. Ela começa dentro de cada um de nós. É preciso voltar a se indignar com a miséria, com a exclusão, com a corrupção. É preciso não considerar normal os milhões de analfabetos e desassistidos. Os episódios de 2005 e da reeleição do presidente Lula evidenciaram que o nosso povo soube discernir o que é publicidade informativa e o que é demagogia. Soube separar o que é a busca da verdade do que é tentativa de lhe impor uma mentira.

 

"Devo ao povo a honra de ser governador. Porque veio do povo a certeza de que nossa história estava mudando"

 

Não é pouco chegar aonde cheguei, embalado pela mobilização popular. Não é pouco ser responsável por iniciar uma nova era na Bahia, de natureza republicana, democrática e popular. Iniciar um governo que é de todos e tem de ser de todos. Mas que sabe, também, que os que mais precisam do governo são os mais pobres. E será para os mais pobres que vamos dirigir as prioridades de nossas políticas públicas.

Nós não podemos esquecer isso. Nenhum de nós. Muito menos esta Casa, que é protagonista de uma das mais nobres atividades humanas, a política. Nossos séculos foram cruéis com nosso povo. Nós fomos marcados pela ignomínia da escravidão, e até hoje, os afro-descendentes sentem o peso de tanta violência. Fomos marcados pelo massacre dos índios, pela perseguição e opressão aos trabalhadores, camponeses, mulheres, deficientes.

 



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