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Wagner propõe parceria entre os três poderes

Publicado em: 22/02/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

O Cerimonial distribui a mensagem do governo
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Na abertura dos trabalhos legislativos, o governador Jaques Wagner optou por um discurso fortemente político, em que se comprometeu a fazer uma administração republicana, com atenção especial para a melhoria dos índices sociais e da distribuição de renda. Ele disse que a idéia de desenvolvimento que pretende implementar no estado é baseada no exemplo do presidente Lula, "na identificação com os que mais precisam do governo, os mais pobres". Parafraseando o discurso presidencial de posse, garantiu que dedicará cada minuto de sua vida no governo a "melhorar as condições de existência da população".

Wagner deixou claro que entende sua eleição e a reeleição de Lula como um clamor popular por mudança. "Devo ao povo a honra de ser governador, porque veio do povo a certeza de que nossa história estava mudando", disse ele, que foi muito aplaudido ao lançar a proposta de que os chefes dos três poderes se reúnam periodicamente para tratar exclusivamente das prioridades do estado. Contou que a proposta foi feita aos presidentes da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, e do Tribunal de Justiça, desembargador Benito Figueiredo. "Essa proposta já é uma demonstração de que pretendo governar em harmonia com os três poderes", frisou.

MATURIDADE

Neste aspecto, o governador elogiou a maturidade dos deputados, que chegaram ao entendimento e, de forma consensual, definiram a composição da Mesa Diretora. Ele disse que "esta Casa dará as melhores contribuições ao povo baiano".

"Não é pouco ser responsável por iniciar uma nova era na Bahia, de natureza republicana, democrática e popular", disse Wagner, pouco antes de endurecer o discurso, afirmando que o estado "experimentou o autoritarismo da ditadura e a emergência de uma dominação política que não soube conviver com a liberdade e tentou macular nossa história, anulando verdadeiros gigantes do pensamento baiano e, com mistificação, criando mitos".

Incompetência, insensibilidade e desperdício foram as palavras escolhidas para atacar a "gastança em propaganda", enquanto se abandonava, por exemplo, a Ebal. "Até a política de distribuir alimentos mais baratos para nosso povo foi transformada apenas em marketing", acusou, citando ainda a EBDA, "que tanto fez pelo trabalhador do campo". Segundo ele, a empresa está arruinada, com um passivo trabalhista superior a R$313 milhões. Ao citar tais números, o governador informou que não foram poucas as dívidas herdadas. Em um levantamento parcial, somou algo em torno de meio bilhão de reais, "o que já compromete a execução do orçamento de 2007".

ANACRONISMO

"Faço esse relato, nesta tribuna, não por simples vontade de olhar o passado, mas pelo sagrado direito de informação e da necessidade de corrigirmos os erros", explicou, depois de falar sobre convênios não cumpridos e contrapartidas não realizadas, o que "revela um quadro preocupante a ser superado". Para ele, a situação encontrada é resultado deste "jeito anacrônico de fazer política, que acaba de ser derrotado".

Wagner afirmou que "o crescimento da Bahia nos últimos anos se opôs a tudo o que significa desenvolvimento" e que houve não só uma "brutal concentração de renda" como territorial. "É preciso garantir que nosso povo sinta que o crescimento seja desenvolvimento, ou seja, que melhore as suas condições de vida." Neste aspecto, prometeu combater o crescimento concentrado em poucas cidades em que a Região Metropolitana de Salvador detém 53% de toda a riqueza produzida e 172 municípios geram apenas 5% do PIB estadual.

O trabalho dos empresários – muitos dos quais, segundo Wagner, chegaram a transferir suas sedes, por considerar a Bahia um ambiente hostil – também foi lembrado. "Os privilégios acabaram", anunciou, convidando os empreendedores interessados a ajudar no desenvolvimento, na geração de empregos e "na ajuda da construção de uma nova Bahia".



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