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Mais três livros ajudam a resgatar a memória e tradição dos baianos

Publicado em: 07/02/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Álvaro, Ferraz e Coronel durante a inauguração da nova galeria de ex-presidentes
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A gestão do presidente Clóvis Ferraz (PFL), que teve como uma das prioridades o apoio à cultura, foi encerrada com o lançamento de mais três livros que resgatam a memória e as tradições do povo baiano. A solenidade, bastante concorrida, aconteceu no saguão do plenário da Casa, após a inauguração da TV Assembléia. A coleção Ponte da Memória foi enriquecida com mais dois títulos, O Mundo Estranho dos Cangaceiros, de Estácio de Lima, e O Leque de Oxum e Algumas Crônicas do Candomblé, de Vasconcelos Maia. Foi lançado também, em parceria com a Editora da Ufba, o livro Histórias de Salvador nos Nomes das suas Ruas, do jornalista Luiz Eduardo Dórea.

O Mundo Estranho dos Cangaceiros é uma das obras de referência sobre o cangaceirismo. Segundo o oficial médico da Marinha, Lamartine de Andrade, que foi amigo e trabalhou como assistente do escritor, Estácio de Lima exercia a medicina legal e era presidente do conselho penitenciário. Seu interesse pelo banditismo rural nasceu no final da década de 20. A pesquisa sobre o tema levou cerca de 40 anos até chegar ao formato do livro.

Segundo Andrade, o escritor fazia viagens constantes pelo sertão e entrevistas com fontes primárias, principalmente cangaceiros que foram presos, a quem ele tinha acesso pelo cargo que ocupava. O livro analisa de forma minuciosa a influência do meio miserável e hostil que forjou a personalidade dos cangaceiros. "A obra de Estácio de Lima desmistificou a idéia do cangaceiro como monstro, mostrando que o sertanejo, oprimido pelas circunstâncias que vivia, reagia com violência", afirmou.

O livro revela que a maioria dos cangaceiros que se tornaram famosos foi também vítima de violência e, por não ter a quem recorrer, fez justiça com as próprias mãos. Por conta disso tiveram que seguir o caminho do crime. "Labareda, que viveu na região onde hoje está o município de Santo Antonio da Glória, teve a irmã estuprada pelo delegado de polícia, matou o delegado e tornou-se bandido. O próprio Lampião teve o pai morto pela polícia", contou Andrade.

Histórias de Salvador nos Nomes das suas Ruas é fruto de 30 anos de pesquisa do jornalista Luiz Dórea, que se interessou cedo pela Toponímia, que é o estudo das origens dos nomes das ruas e bairros de uma cidade. A edição feita através da parceria entre a AL e a Ufba é a segunda edição do livro, que foi revisto e ampliado após o primeiro lançamento em 1999 como parte dos festejos pelos 450 anos de Salvador.

Segundo Dórea, através dos nomes das ruas pode-se descobrir coisas interessantes da cidade, às vezes personagens históricos, mas também histórias que vão sendo transmitidas pelos moradores e que acabam batizando uma rua. "Existe uma rua em Nazaré que se chama Cova da Onça. Provavelmente, há muitos anos atrás, mataram e enterraram uma onça ali, que não era o lugar urbanizado que é hoje", comentou o jornalista.

Dórea contou que seu livro é o único sobre o tema já feito em Salvador e que houve dificuldade para encontrar fontes para pesquisa, feita principalmente através de jornais e de entrevistas com historiadores baianos. "Salvador não é só a terra do Axé, foi a primeira capital do Brasil e tem uma história muito rica que precisa ser resgatada."

O leque de Oxum, de Vasconcelos Maia, é um livro que já foi editado em várias línguas mas que estava com sua edição brasileira esgotada. Ele também faz parte da coleção Ponte da Memória e teve uma edição especial com projeto gráfico diferenciado e ilustrações a partir de reproduções de obras de Carybé. Segundo a filha do escritor, Renata Janot, que representou o pai na solenidade, o trabalho de resgate da memória e da cultura da Bahia feita pela AL na gestão Clóvis Ferraz é importante para que obras e autores baianos não sejam esquecidos.

NOVA GALERIA

No mesmo saguão onde foi feito o lançamento dos livros também foi inaugurada pelo presidente Clóvis Ferraz a nova galeria de fotos dos presidentes da AL, em substituição à antiga, onde não havia mais espaço. O lay-out da nova galeria é similar ao da galeria das ex-deputadas, cujas fotos estão expostas em frente ao Salão Nobre.



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