Em 1988, o governo federal deu início a uma "ação revolucionária" no município de Paramirim: a construção da barragem do Zambubão, concluída em 1996. A partir daí, a barragem passou a reter 76 milhões de metros cúbicos de água, que até hoje são subutilizados. Por conta disso, o deputado Gilberto Brito (PR) apresentou uma indicação ao governador Jaques Wagner, solicitando a execução de um projeto de irrigação no município.
Segundo Brito, hoje existe na região uma arcaica irrigação por inundação, "incompatível com os sofisticados e econômicos sistemas atuais". Ele contou ainda, no documento, que conseguiu junto à Superintendência de Irrigação da Secretaria de Governo a elaboração de um avançado projeto. "Uma vez executado, esse projeto garantirá permanentemente a irrigação de uma área aproximada de mil hectares, investimento da maior conseqüência para assegurar o emprego de inúmeros sertanejos que ainda hoje abandonam, por imposição do destino, o aconchego dos seus lares em busca de ocupação laborativa no corte de cana das terras do Sul."
Na indicação encaminhada ao governador, Brito conta que a povoação do município teve início com os portugueses que exploravam ouro no chamado Morro do Fogo. Depois, acrescenta, eles se estabeleceram em uma arraial denominado "Arraial dos Ribeiros". A região atraiu também agricultores e pecuaristas, mas as atividades se limitavam ao "tempo das águas", que iam de outubro a março.
"Empreendedores e capacitados nas tradições chinesas, usando 'ganchos' e 'linhas' de aroeira, calçadas por pedras, eles edificaram açudes no leito do rio, que após o armazenar das águas faziam o precioso líquido banhar as terras, via "regos mestres" – dutos garantidores de irrigações certas e determinadas, mantenedoras das roças de milho, feijão, capim bengo, arroz e cana-de-açúcar", relatou.
Segundo o parlamentar, só nessas áreas do arraial, mais tarde batizado como Paramirim, sete desses açudes foram erigidos, todos com denominações próprias – Zambubão, Rio da Rua, Baixinha, Bebedouro, Pajeú, Moreira e Piripiri. "De tempo em tempo, alguns desses açudes rompiam, ante a fúria das águas, mas logo as mãos firmes da brava gente os recompunham, garantindo terra molhada durante os tempos de seca", diz. Assim se passaram 200 anos, até a construção da barragem pelo governo federal.
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