Mais dois livros inéditos de autores baianos foram lançados ontem, na Academia de Letras da Bahia, através do convênio de cooperação cultural firmado pela instituição e a Assembléia Legislativa. Escritores, acadêmicos e intelectuais que apreciam a boa literatura puderam conferir, em primeira mão, os livros Grande Sertão: Veredas, uma escritura biográfica, da professora Evelina Hoisel, e Visões de Espelhos, O percurso da Crítica de Eugênio Gomes, da também professora Ivia Alves. Só nos últimos dois anos, a AL publicou seis títulos indicados pela Academia. O presidente da Casa, Clóvis Ferraz (PFL), foi representado no evento pelo seu assessor para Assuntos Culturais, o escritor Délio Pinheiro.
A solenidade foi conduzida pelo presidente da ALB, Cláudio Veiga. Ele lembrou que a Academia completará 90 anos de existência neste ano de 2007 e que, para continuar cumprindo a promessa de seus fundadores de fomentar as letras baianas, é fundamental a ajuda do mecenato. "Entre as entidades que vêm nos apoiando, cabe destacar a atuação da Assembléia Legislativa, principalmente na atual gestão do presidente Clóvis Ferraz, que muito tem nos ajudado. Espero que a próxima gestão dê continuidade a esse projeto", afirmou.
O professor Cláudio Veiga destacou o sucesso alcançado pelos livros A Noite dos Coronéis, de Guido Guerra, e Anjos Caiados, de Ariovaldo Matos, sem deixar de considerar a importância de todos os seis livros já lançados pelo convênio. Ele fez ainda um especial agradecimento ao esforço do presidente da AL para conseguir liberar, em regime de comodato, um conjunto de computadores que estão sendo muito úteis para a administração da instituição. No fim do discurso, o professor ofereceu ao presidente, através de seu representante na cerimônia, um exemplar do livro O Solar Góes Calmon, do pesquisador Edivaldo Boaventura. "É uma oferta simples, mas que traduz a nossa eterna gratidão", disse o acadêmico.
Délio Pinheiro começou o seu pronunciamento se desculpando pela ausência de Ferraz, que compareceu a todos os lançamentos anteriores de livros que foram fruto do convênio, alegando que motivos particulares impediram a presença do presidente. Pinheiro afirmou que historicamente a AL e a ALB sempre foram parceiras na edição de livros, mas que Ferraz, desde os primeiros dias da sua gestão, fez questão de impulsionar e dar mais agilidade ao relacionamento entre as instituições. "Duvido que em qualquer outra gestão a Assembléia Legislativa e a Academia tenham tido um relacionamento tão profícuo", comentou.
PAIXÃO
Segundo a professora Evelina Hoisel, o seu livro é fruto da paixão pelo escritor Guimarães Rosa, que surgiu ainda na sua graduação em letras. Ela afirmou que este encanto a acompanhou em sua carreira acadêmica até culminar na sua tese de doutorado, defendida em 1996 na Universidade de São Paulo (USP), quando explorou as características autobiográficas expressas em sua obra mais conhecida Grande Sertão Veredas. A tese foi acrescida de vários artigos escritos durante os últimos 10 anos e transformada em livro.
Evelina, que é professora titular da Ufba, afirmou que parcerias como a que tornou possível a publicação do seu livro são fundamentais para difundir a grande produção intelectual da universidade e de grupos de pesquisa que muitas vezes não conseguem fazer a divulgação de suas idéias.
Já Ivia Alves, que também é professora e pesquisadora da Ufba, disse que tem cerca de 10 livros publicados sobre literatura brasileira e baiana a partir de um viés crítico e histórico. Ela confirma que a maior dificuldade enfrentada pelos pesquisadores é disponibilizar imediatamente os seus trabalhos acadêmicos. "A publicação em livro desses títulos tem um grande impacto para os leitores em geral, mas principalmente para o público especializado da Bahia", completou.
Também participaram da solenidade o ex-governador Roberto Santos e o presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro.
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