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"A democracia é um valor universal"

Publicado em: 05/01/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

O novo governador, sob intensos aplausos da platéia, comemora ao ser empossado
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Eis o discurso do governador na íntegra:

"Minhas amigas, meus amigos.

Minha Bahia.

É com muita honra que venho a esta Assembléia Legislativa, de tantas tradições, para tomar posse do cargo de Governador da Bahia. Quero começar reafirmando, perante os componentes desta Casa, a minha convicção de que a democracia é um valor universal, especialmente quando lastreada na independência e harmonia entre os Três Poderes. Foi ela, a democracia, que me permitiu chegar até aqui. Podem ter certeza, Senhores Deputados, que minha prática à frente do Governo da Bahia se dará sempre no sentido de consolidar os valores democráticos que tanto defendo.

Isso se consubstancia também no convívio respeitoso com esta Casa, um poder fundamental e insubstituível, que, no exercício pleno das suas prerrogativas, participará ativamente na formulação das novas políticas públicas. Sei quanto isso é relevante, porque fui Ministro das Relações Institucionais e por três vezes deputado.

Neste momento tão importante da minha vida quero fazer um agradecimento muito especial a Maria de Fátima, minha querida esposa e companheira Fatinha. Acho que eu nunca teria chegado aonde cheguei se não tivesse ao meu lado o amor, o carinho, a amizade de Fatinha. E, mais que isso, a força, as idéias livres e independentes dessa mulher que lutou e acreditou nesta e em tantas outras batalhas, nos momentos de alegria como hoje, mas também nos momentos difíceis pelos quais passamos juntos.

"Agradeço a todos aqueles que acreditaram nesta caminhada, em especial aos partidos que, com seu desprendimento e visão estratégica, formaram a ampla coalizão A Bahia de Todos Nós"

Quero agradecer a meus pais, Joseph e Paulina, eles mesmos exemplos de tudo o que sou, que fugiram do holocausto nazista nos anos 40 e vieram para o Brasil para lutar e vencer. É essa mesma fonte que forjou o caráter dos meus irmãos, Sérgio e Carlos, a quem tanto admiro. Da mesma forma, quero agradecer a meus filhos Mariana, Mônica, Matheus e Dudu, e suas energias sempre positivas ao meu lado, certeza de futuro e esperança.

Tenho orgulho de estar tomando posse ao lado deste grande companheiro, que hoje é meu vice-governador, o amigo Edmundo Pereira, que conhece desde o começo toda a história que vivemos hoje. História de resistência contra a ditadura, a partir do interior da Bahia, na região de Brumado, nos tempos do velho MDB, até mais recentemente, quando foi membro desta Casa.

Agradeço a todos aqueles que acreditaram nesta caminhada, em especial aos partidos que, com seu desprendimento e visão estratégica, formaram a ampla coalizão A Bahia de Todos Nós: o PT, partido do qual tenho a honra de ser fundador há 27 anos, o PMDB, o PCdoB, o PSB, o PTB, o PMN, o PV, o PPS, o PRB, e tanta gente de vários partidos, militantes dos movimentos sociais e pessoas independentes que fizeram esta campanha vitoriosa.

Hoje, quando falo aqui, investido do mais alto cargo da estrutura política do nosso estado, não posso deixar de lembrar de toda uma trajetória de luta que marcou a minha vida na Bahia. Desde que aqui cheguei, há 35 anos, fugindo da repressão, tenho feito muitos amigos e companheiros de luta. Foi com eles que organizamos o novo movimento sindical baiano e, a partir daí, me tornei deputado.

Quatro anos atrás elegemos o Presidente Lula e a Bahia foi extremamente importante nessa conquista. Com Lula estamos construindo um novo Brasil. Livre, justo, democrático e do bem. Tenho orgulho de ter participado, como Ministro, desse projeto.

A Bahia é esse Estado imenso, com dimensões de um grande país. A Bahia é também o Estado da diversidade. Esta mistura de culturas, de raças, de cores, de paisagens. Um povo doce, amigo e inteligente. Este mesmo povo baiano, tão amável, no entanto, já provou ao longo da história que não se acomoda diante da injustiça e da opressão, por mais forte que o opressor lhe possa parecer.

O baiano traz no sangue a luta para expulsar os invasores que dela quiseram se apoderar. Temos o exemplo da Revolução dos Alfaiates ou dos Búzios, quando, muito antes da independência do Brasil, os baianos Inconfidentes tentaram tomar os céus de assalto. A Bahia é a marcha cívica do 2 de Julho, nossa data maior, quando o povo baiano foi às armas para garantir a independência. No nosso DNA está também a Revolta dos Malês, os versos mordazes de Gregório de Matos e a poesia apaixonada, incendiária e revolucionária de Castro Alves.

Mas essa mesma Bahia que encontrou mil e uma maneiras de lutar contra a opressão há tantos séculos, infelizmente, ainda vive o atraso de um modelo superado pela história. Um modelo que acentuou a desigualdade na distribuição das riquezas do nosso Estado e que se tornou ainda mais perverso nos tempos da velha ditadura militar.

"Quatro anos atrás elegemos o presidente Lula e a Bahia foi extremamente importante nessa conquista. Com Lula estamos construindo um novo Brasil. Livre, justo, democrático e do bem".

A Bahia estava na contramão do Brasil. Por anos a fio, quem dominou a política na Bahia se preocupou muito em concentrar e pouco ou nada em repartir.

Por que a maior economia do Nordeste está em vigésimo lugar em desenvolvimento social? Por que um Estado que é o sexto mais rico do país é também um dos que tem o povo mais pobre? Por que um Estado tão cheio de riquezas naturais e uma economia tão diversificada ainda tem o segundo maior número de analfabetos do país? Por que a riqueza da Bahia não é repartida com os baianos? Por que o crescimento do Estado não se transforma em desenvolvimento para o nosso povo?

Isso vai mudar. E começa a mudar hoje. Uma coisa vocês podem ter certeza: nos próximos 4 anos, a Bahia vai ter um governador que vai trabalhar cada minuto para fazer o Estado produzir e crescer. Mas vamos acrescentar ao crescimento uma missão, que parece ter sido esquecida há muito tempo: promover a igualdade. A igualdade de oportunidades.



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