O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Clóvis Ferraz (PFL), decretou luto oficial de três dias em reverência à memória do jornalista Jorge Calmon, que por 60 anos dirigiu o jornal A Tarde, falecido, na manhã de ontem, aos 91 anos. Ele foi também deputado estadual. Seu sepultamento ocorreu no Cemitério do Campo Santo em ato que contou com a presença das mais altas autoridades da Bahia. Ferraz representou o Legislativo estadual na cerimônia fúnebre e apresentou moção de pesar, solidarizando-se com os familiares do "eminente doutor Jorge", ao tempo em que louvava o seu exemplo de profissional da imprensa e homem público exemplar.
No texto que protocolou na Secretaria Geral da Mesa da Assembléia, o parlamentar lamentou o falecimento do jornalista, advogado, ex-secretário do Interior e Justiça, acadêmico e ex-deputado estadual. Entre todos os títulos obtidos em sua profícua vida, acentuou Clóvis Ferraz, o que "com certeza, mais lhe agradava era o de jornalista. Jornalista de escol que marcou época na imprensa baiana", frisou. Ele lembrou que o "doutor Jorge", como ele era carinhosamente chamado, ingressou em A Tarde em 1934, só saindo do comando do maior órgão de imprensa do Norte-Nordeste em 1995.
No jornalismo, ele se destacou nas funções de repórter, redator-chefe e diretor-redator, acrescentou Clóvis Ferraz, para lembrar a amizade que firmou para toda a vida com o fundador de A Tarde, o jornalista e líder político Simões Filho. Ainda no jornalismo, continuou, "foi presidente da Rádio Cultura da Bahia; membro do Grupo de Trabalho, nomeado pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek, para estruturar a Agência Brasileira de Notícias; membro da Comissão da Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa e presidente da Associação Baiana de Imprensa, dando, assim, sua grande contribuição para o fortalecimento da imprensa."
O presidente do Legislativo destacou em sua moção a homenagem que a Casa prestou ao decano de nossa imprensa, quando ele completou 60 anos de militância nessa "nobre missão de bem informar", realizada no dia 11 de maio de 1995. Jorge Calmon, além da sua destacada atuação como jornalista, foi vice-diretor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, chefe do Departamento de História, professor de Direito Constitucional e Direito Público e fundador do curso de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia.
Após a sua aposentadoria, a Ufba concedeu-lhe o título de Professor Emérito. À personalidade do jornalismo, lembrou o presidente da Assembléia, "alia-se o autor de várias conferências, discursos, prefácios e artigos em revistas e jornais e também diretor da Biblioteca Pública da Bahia e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia". Ele foi também presidente de honra do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e membro da Academia de Letras da Bahia. E deputado estadual constituinte pela UDN (1947-1951), reeleito pelo Partido Libertador (1951-1955 ).
O deputado do PFL assegurou ainda que Jorge Calmon teve atuação parlamentar destacada, tendo sido presidente da Comissão de Leis e Resoluções, vice-presidente das comissões de Constituição e Justiça e de Finanças e Orçamentos e Contas, além de vice-líder do PSD e vice-líder da coligação baiana PSD-PL. "Ele foi um exemplo a todos que passaram por esta Casa parlamentar", frisou.
Antes de encerrar e solidarizar-se com a viúva, filhos e netos, ele disse que o reconhecimento público a Jorge Calmon pode ser demonstrado pelas homenagens e condecorações que lhe foram outorgadas, no Brasil e no exterior, destacando-se a Medalha Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras; Medalha de Mérito Ruy Barbosa, do Tribunal de Contas do Estado; Medalha do Pacificador, do Exército brasileiro; Medalha do Mérito Tamandaré, da Marinha de Guerra; Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal; Ordem do Mérito do Congresso Nacional no grau de Comendador; Comenda Del Mérito Civil da República do Chile; Comenda do Número de 1a Ordem Del Mérito Civil da Espanha.
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