A morte do ditador chileno, general Augusto Pinochet Ugarte, ocorrida no último domingo, provocou as mais diversas reações em todo o mundo. Na Assembléia Legislativa, não foi diferente. O deputado Waldenor Pereira (PT) fez questão de apresentar uma moção de solidariedade às vítimas que sofreram atrocidades na época do regime militar comandado pelo general.
O petista inicia o documento lembrando que "o maior símbolo sangüinário das ditaduras latino-americanas do último terço do século passado" morreu exatamente no Dia In-ternacional dos Direitos Humanos. O parlamentar destaca que foi no "regime repressivo de Pinochet" que houve a Caravana da Morte, grupo de militares chilenos que, em 1973, percorria o país para localizar, torturar e matar lideranças sindicais e políticas que tivessem qualquer ligação com a Unidade Popular, coalizão de esquerda do governo do socialista Salvador Allende.
Além disso, Waldenor lembra que Pinochet formou com países vizinhos a Operação Condor, um mutirão oficioso para interrogar, torturar ou extraditar ilegalmente militantes da esquerda na América Latina. "A sanha hedionda e assassina não tinha fronteiras", protesta o deputado, lembrando que, por tais fatos, "o mundo civilizado clamava por punição."
Para mostrar toda a sua revolta com os atos do ditador, o autor da moção recorreu à poesia, encerrando com o poema Que se vá sátrapa maldito, que fez em co-autoria com o geólogo José Aguiar Portela: "Que se vá, besta fera assassina latino-americana/Que se vá, lembrança mil vezes maldita/Que se vá, assassino cruel de homens, mulheres e crianças/Que se vá, verdugo da democracia/Que se vá, torturador voraz e sangüinário/Que se vá, vendilhão das bandeiras dos povos com tanto sangue conquistadas/Que se vá, sátrapa mil vezes da barbárie/Que se vá, sátrapa maldito/Que se vá, general das trevas/Que se vá, se vá, e não volte nunca mais/Viva a Liberdade, a Democracia, a Solidariedade/Gracias a la Vida."
REDES SOCIAIS