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Crise das universidades estaduais é discutida em audiência pública

Publicado em: 13/12/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissão de Educação: deputados reuniram-se com professores, estudantes e dirigentes da Uneb, Uefs, Uesb e Uesc
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A crise vivida pelas universidades estaduais baianas foi discutida ontem, em audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Esportes e Serviços Públicos da Assembléia Legislativa. O encontro, coordenado pelo deputado Antonio Rodrigues (PFL), presidente do colegiado, foi solicitado pelo fórum que reúne as associações de docentes das quatro instituições de ensino superior: Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Universidade do Sudoeste da Bahia (Uesb) e Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Professores, estudantes, pró-reitores e o reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim, marcaram presença na reunião, que contou também com a participação dos deputados Zilton Rocha e Waldenor Pereira, ambos do PT, e Aderbal Caldas (PP). A principal reivindicação dos docentes e dirigentes das instituições é ampliar os recursos destinados no orçamento do próximo ano, de aproximadamente 4,1% para 5% da receita líquida de impostos do Estado. Em números absolutos, os recursos subiriam de cerca de R$410 milhões para algo em torno de R$500 milhões.

Zilton Rocha se comprometeu com a comunidade universitária e intermedia o encontro com o secretário de Educação do próximo governo, Adeum Sauer, e com o governador eleito, Jaques Wagner. A reunião com Sauer deve acontecer entre hoje e amanhã. Já com Wagner está marcada para o próximo dia 20. Segundo Zilton, essa é uma demonstração de que o novo governo terá uma relação com as universidades estaduais baseada "no diálogo e transparência."

Os relatos dos professores e docentes, na audiência de ontem, mostram que as universidades estaduais vivem hoje uma situação dramática pela escassez de recursos. Laboratórios insuficientes e obsoletos, bibliotecas defasadas, ameaças de corte de energia por falta de pagamento, déficit de salas, salários achatados e viagens para trabalho de campo canceladas foram apenas alguns dos problemas relatados durante o encontro.

O reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim, por exemplo, revelou que o orçamento próximo do ideal para a instituição é de R$171,6 milhões. No entanto, a universidade só recebe R$131 milhões – e 90% desses recursos são destinados ao pagamento de salários. "O foco realmente é o orçamento", diz ele, relatando problemas de espaço físico em todos os 24 campi da universidade em Salvador e municípios do interior. "Só a Uneb tem um déficit de 192 salas de aula", acrescentou ele, criticando o "processo desordenado" de expansão das universidades estaduais.

O assessor de planejamento da Uesb, Roberto Paulo, destacou a importância das universidades para o desenvolvimento social e econômico dos municípios do interior baiano. "A universidade é hoje o principal instrumento para levar o desenvolvimento ao interior", avalia, citando como exemplo Vitória da Conquista. "Boa parte da economia de Conquista gira em torno da Uesb". Ele lembrou que só se combate a desigualdade combatendo as diferenças de níveis educacionais da população.

A influência das universidades no desenvolvimento econômico e social também foi levantada pelo pró-reitor da Uefs, Geraldo Belmonte. Por conta disso, argumenta ele, as universidades deveriam ser tratadas como política de Estado. Na avaliação de Belmonte, parte dos problemas da universidade poderia ser resolvida, mesmo sem aporte de recursos. Ele citou, como exemplo, o fato de as universidades nunca receberem os recursos na data correta no mês. "Isso dificulta o relacionamento com os fornecedores, já que eles nunca sabem quando vão receber."



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