A Bahia ganhou mais um médico oftalmologista de notório saber e reconhecimento nacional. Por iniciativa dos deputados e médicos Vespasiano Santos (PFL) e Pedro Alcântara (PL), a Assembléia Legislativa concedeu, na noite da última quinta-feira, dia 7, o título de Cidadão Baiano ao professor Rubens Belfort Mattos Júnior, de São Paulo.
A sessão, bastante concorrida, foi aberta por um dos proponentes, Vespasiano Santos, que fez um sucinto discurso, destacando a trajetória do homenageado. "Fazendo uma síntese de seu vasto currículo, permitam-me enumerar alguns dados que considero importante de sua extraordinária carreira. Rubens Belfort é professor titular de Oftalmologia da Universidade de São Paulo. Doutor em Medicina, foi professor de inúmeras faculdades em nível de pós-graduação, além de representar o Brasil nos conselhos internacionais de Oftalmologia."
Vespasiano afirmou que o especialista é tão respeitado aqui e no exterior que presidiu o Congresso Mundial de Oftalmologia, realizado em São Paulo, que reuniu mais de 13 mil especialistas de todo o mundo. "Mais do que um patrimônio cívico, intelectual e moral, Rubens Belfort é, antes de tudo, um artista de visão. À sua arte de curar junta-se a humildade de sua grandeza, projetando-o como um dos maiores profissionais em oftalmologia em nosso país", elogia o pefelista.
O autor da iniciativa lembrou que o homenageado é neto e filho de oftalmologistas. "Corre em suas veias as células herdadas de seus precursores", assinala o deputado, acrescentando que também chama a atenção na carreira de Rubens Belfort um certo componente político. "Ao entrar na faculdade, no ano de 1966, foi obrigado a viver o tempo de exceção e do arbítrio. Chegou a ser preso por participar de um congresso da UNE", relatou Vespasiano, arrematando seu pronunciamento de saudação ao médico da seguinte forma: "Rubens, você é nosso querido irmão, nascido hoje, cujo berço, neste momento, é a Assembléia Legislativa da Bahia, que também serviu de cartório, para registrá-lo por meio do projeto que aprovou o seu nascimento como baiano."
AGRADECIMENTO
O homenageado começou seu discurso de agradecimento lembrando a saga de sua família e a ligação com a Bahia. "Há cerca de 130 anos, meus dois bisavós saíram da Bahia, saíram de Salvador como muitos outros baianos à procura de caminhos novos e oportunidades melhores de vida". Da capital baiana seus antepassados foram para o interior de São Paulo e depois para o Rio de Janeiro. "Lá, meu bisavô, como muitos outros baianos que chegaram ao Sul despreparados educacionalmente, sem condições econômicas adequadas, soube se destacar. Apesar de estudar tarde, terminou a advocacia com quase 40 anos e terminou se tornando um ótimo advogado."
Ao fazer esta viagem no tempo, Rubens Belfort destaca que graças aos amigos recuperou "aquilo que meus bisavós tiveram, que é esse estado, não geográfico, mas esse estado de espírito que os baianos têm e que todos os brasileiros não baianos invejam". Ele fez questão de ressaltar, porém, que acredita não apenas na figura do artista, do escritor, do médico, do professor, mas "na figura do baiano típico, do baiano comum, da grandiosidade da Bahia, e é essa grandiosidade que nós brasileiros de outros estados invejamos."
Rubens Belfort fez questão também de ressaltar o intercâmbio intelectual entre a oftalmologia baiana e a da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. "É uma relação quase que carnal", brincou, para logo em seguida voltar a falar sério sobre a importância da parceria. "É fundamental que continuemos assim, continuemos nos integrando, continuemos cada vez mais aceitando e mesmo lutando para que o mundo cada vez mais seja plano."
Demonstrando respeito à magia e à mística da Bahia, ele decidiu encerrar seu agradecimento de forma bem humorada e respeitosa. "É temeridade para qualquer paulista, qualquer não-baiano, ainda que agraciado com o título que hoje recebo, falar aqui na Bahia mais do que nove minutos. Paro por aqui".
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