A vereadora Maria Del Carmen Fidalgo Sanches Puga (PT) é a mais nova cidadã baiana. Ela recebeu o título, na tarde de ontem, em sessão especial na Assembléia Legislativa, por iniciativa da deputada Lídice da Mata (PSB), que considerou a homenagem “justa e oportuna, pelos relevantes serviços prestados ao estado ao longo de mais de três décadas.”
A saudação à nova baiana foi feita exatamente pela parlamentar socialista, que relembrou a trajetória de Maria Del Carmen na vida pública e também fez um pequeno histórico sobre suas qualificações profissionais. Nascida no Conselho de Cañiza, Pontevedra, Galícia, Espanha, em 1948, a atual vereadora petista veio para a Bahia logo cedo, em 1954, diplomando-se em 1967, em Salvador, no curso técnico de Contabilidade. Pouco depois, em 1973, graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia.
Recém-formada, foi trabalhar na construção do Centro Administrativo da Bahia. “Pelo seu competente desempenho nessa primeira experiência profissional, veio a ocupar importantes cargos no Executivo estadual, dentre os quais a Diretoria de Obras do Departamento de Edificação Pública do Estado da Bahia, a coordenação de Projetos e Obras na Secretaria Estadual do Trabalho e Ação Social e a Diretoria de Obras da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia”, relata Lídice da Mata.
Para além do trabalho técnico, Maria Del Carmen, conforme destacou a autora da homenagem, construiu uma história de luta e mobilização junto às comunidades carentes de Salvador. E foi exatamente na capital baiana que a história das duas se cruzou. Elas concorreram ao mesmo cargo, de prefeita na eleição de 1992, mas acabaram por trabalhar em conjunto na administração de Lídice, então vencedora daquele pleito. “Maria Del Carmen contribuiu muito com a administração municipal, destacando-se por sua competência e sensibilidade social”, testemunhou a deputada.
Logo depois, Maria Del Carmen foi eleita deputada estadual e foi a primeira presidente da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher, promovendo os primeiros debates na Casa sobre a exploração sexual infanto-juvenil. Dez anos depois, ela foi eleita vereadora de Salvador, função que exerce atualmente com “convicção e amor às causas justas”, segundo destacou Lídice da Mata.
AGRADECIMENTO
O discurso da homenageada foi marcado pela emoção e alegria, conforme fez questão de frisar logo no início de seu pronunciamento. “Ocupo hoje (ontem) esta tribuna não para falar dos problemas desta bela cidade, mas para agradecer a concessão de tão alta honraria com que jamais poderia sonhar”, afirmou, acrescentando: “Como, meus amigos e minhas amigas, poderia sonhar com tal homenagem aquela menina que nasceu numa pequena aldeia, numa pequena cidadezinha, situada entre as montanhas?”
Em seguida, Maria Del Carmen lembrou as dificuldades e os desafios de aprender uma nova língua e viver em outro país. Mas, ela enfatizou os momentos felizes como as recordações de Itapagipe dos anos 50 e 60 e das matinês que freqüentou no Cine Roma.
No seu discurso, a nova cidadã baiana recordou ainda de todos os companheiros de luta e de profissão, citando nominalmente uma série de pessoas que estiveram na mesma batalha em prol de uma cidade mais justa e humana. No final, ela fez questão de agradecer a Lídice da Mata por sua “caminhada política”. “Ela praticamente me obrigou a ser candidata”, recordou, frisando compartilhar o título com todos os baianos e os cidadãos galegos e seus familiares. A concorrida sessão foi animada com cantos de sua terra natal.
MESA
Dos trabalhos, comandados pelo presidente da Casa, deputado Clóvis Ferraz (PFL), também participaram da Mesa o presidente da Câmara de Salvador, Valdenor Cardoso, a deputada Sônia Fontes (PFL), presidente da Comissão da Mulher da AL, o secretário Estadual da Indústria, Comércio e Mineração, José Luiz Garrido, o secretário municipal de Esportes, Lazer e Entretenimento, Arnando Lessa, o cônsul Geral da Espanha, Antonio Oliveira, a presidente do PT municipal de Salvador, Marta Rodrigues, o presidente da Associação Cultural Caballeros de Santiago, Reginaldo Trigo, e o dirigente do Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Ubiratan Félix.
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