A Comissão de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa realizou, na manhã de ontem, uma audiência pública para discutir a inclusão social de jovens negros, através de experiências pedagógicas desenvolvidas por entidades representativas do movimento negro. "O objetivo desse momento é oferecer ao Estado, sobretudo aos órgãos de educação, práticas de ensino ricas para o desenvolvimento da cidadania e da consciência negra", sintetizou o deputado e presidente da comissão, Bira Corôa (PT).
Marcaram presença no evento representantes do Instituto Anísio Teixeira (IAT), da Secretaria de Educação do município de Vitória da Conquista e das entidades Ilê Axé Opô Afonjá, Ilê Aiyê e Instituto Steve Biko, que trouxeram suas experiências em educação. Segundo Bira, as ações desenvolvidas por essas instituições vão ao encontro da Lei 10.639, sancionada em 2003 pelo ex-presidente Lula, que inclui a obrigatoriedade da temática "história e cultura afro-brasileira" no currículo oficial da rede de ensino.
Um exemplo concreto de resgate de cultura e história é o projeto Irê Ayó, desenvolvido pela equipe pedagógica da Escola Eugênia Anna, que faz parte do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. De acordo com a vice-diretora da escola, Iraildes Nascimento, as crianças aprendem através do estudo de mitos ricos em temáticas variadas, com uma metodologia que explora o ambiente e a realidade em que vivem. "Falamos muito em iorubá, buscando a memória da língua e dos falares africanos e estimulamos a passagem do conhecimento através da oralidade", disse a diretora. Nessa mesma linha de construção precoce de uma consciência de cidadania negra, trabalha a Escola Mãe Hilda, criada em 1998 pela ialorixá e matriarca do bloco afro Ilê Aiyê. Segundo Edmilson das Neves, o que era pra ser apenas um bloco de carnaval contra a discriminação da raça negra, foi além. "Nos carnavais cantamos e contamos a história da nossa descendência africana e, nos outros dias do ano, desenvolvemos ações para propiciar um futuro melhor para o povo negro", afirmou.
Também objetivando assegurar à comunidade negra uma inserção mais digna e igual na sociedade, o Instituto Cultural Steve Biko mantém, há 19 anos, o projeto de pré-vestibular. Para Pedro Roberto, coordenador pedagógico da entidade, a universidade é um espaço de poder a ser ocupado pelos afrodescendentes e, acreditando nessa verdade, o projeto já possibilitou o ingresso de mais de mil jovens negros no ensino superior.
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