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Meio Ambiente promove debate sobre escassez de água em Irecê

Publicado em: 30/08/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Os integrantes do colegiado trataram também do problema do desmatamento na região
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Extrapolando os limites físicos do colegiado, a Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa realizou, na última sexta-feira, uma audiência pública na cidade de Irecê. No encontro foram debatidos os riscos, já iminentes, da falta de abastecimento de água e do desmatamento total da região. "Viemos aqui hoje (sexta) porque fomos provocados pelo deputado Luizinho Sobral (PTN), proponente da audiência. Ouvimos várias pessoas. Vamos reunir tudo que foi dito, levar a discussão para o âmbito do colegiado, ampliar os debates e tomar as providências cabíveis", enfatizou o presidente da comissão, deputado Adolfo Viana (PSDB), destacando ainda o pioneirismo da audiência. "Esta é a primeira vez que realizamos um evento como esse fora da Casa. Isso mostra a força que esta região tem na Assembleia."
Esta força, comprovada pela presença de oito deputados estaduais, foi ampliada pelo comparecimento de inúmeros prefeitos e vices, vereadores, produtores rurais, autoridades públicas e civis de toda a região, que lotaram o plenário da Câmara Municipal. "Vamos unir todas as nossas forças. Prefeitos, deputados, independentemente de partidos. Os problemas da falta de água e do desmatamento já atingem a nossa população. Se não buscarmos soluções, daqui a poucos anos teremos problemas de sobrevivência no território de identidade de Irecê", enfatizou Luizinho Sobral.

CONSENSO

As palavras de Luizinho Sobral encontraram respaldo técnico e consenso entre os oradores. Luiz Alberto Barbosa de Souza, chefe do escritório local da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), por exemplo, destacou a importância da retomada deste assunto pelo Poder Legislativo, já que ele está presente na AL desde que a comissão era nomeada de Vale do São Francisco. "Depois de mais de 50 anos, este evento deve servir como um novo pontapé na solução deste problema", frisou Luiz Alberto, defendendo a realização de um estudo, mais atualizado e detalhado. "Hoje, não basta só construir barragens, nem só perenizar os rios Verde e Jacaré. É preciso de projetos que recuperem a mata ciliar, que analisem os desmatamentos e assoreamentos dos rios, que façam um mapeamento do lençol freático. Por isso, esta audiência é muito importante."
"Quando falamos em meio ambiente, parece que estamos falando em problemas distantes. Mas esta audiência prova que eles estão cada vez mais próximos", enfatizou Cassiana Mendes, educadora ambiental do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Inema. Já João Gonçalves, secretário de Meio Ambiente de Irecê, apresentou um dado assustador. Segundo ele, mais de 95% da região sofre com problemas de desmatamento. "O nosso solo está degradado, isso reduziu a capacidade de produção. Precisamos rever o modelo de agricultura que usamos". Nesse sentido, o vice-presidente do colegiado de Meio Ambiente, deputado Eures Ribeiro (PV), ressaltou a necessidade de uma recuperação imediata da mata ciliar.

POLÊMICA

Apesar dos consensos em relação à degradação ambiental e da necessidade da adoção de medidas combativas, a única polêmica girou em torno do andamento da obra da adutora do Rio São Francisco que chegará até Irecê. Os deputados Aderbal Caldas (PP) e Joacy Dourado (PT) reconheceram o atraso na previsão de entrega da obra, mas ressaltaram a realização dela. "Este é um sonho que se sonhou junto e se transformou em realidade e transformará a nossa realidade", afirmou Aderbal. "No total, serão investidos quase R$ 180 milhões que salvarão a nossa região da catástrofe da seca", concluiu Joacy.
O deputado Reinaldo Braga (PR), líder da oposição na AL, e o parlamentar peemedebista Pedro Tavares cobraram mais celeridade e alterações na obra. "Se não alterarmos o projeto, daqui a dez anos vamos estar pedindo água do São Francisco, que agora só irá chegar às torneiras, para que sirva também à irrigação", disse Reinaldo, corroborado por Pedro Tavares: "Sugiro que a comissão visite as obras no local. Elas estão andando a passos lentos, a passos de tartaruga", garantiu.

ADUTORA

Polêmicas à parte, o representante da Embasa em Irecê disse que a previsão inicial para o término da primeira etapa era dezembro deste ano, mas agora será julho de 2012. "A primeira etapa está em plena execução e 77% das obras já estão concluídas", afirmou Paulo Magalhães, revelando que o projeto total é composto de três etapas, envolvendo uma extensão de 122km de adutora, 14 estações elevatórias e estações de tratamento, aspectos que farão a região ser a terceira maior da Bahia em água tratada, perdendo apenas para a capital e Feira de Santana.



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