Dá licença, dá licença, meu Senhô/ Dá licença, dá licença, pra yôyô/ Eu sou amante da gostosa Bahia, porém/ Pra saber seu segredo serei baiano também. Foi dessa forma, lembrando os versos de João Gilberto, pai da bossa nova, que o professor Josué da Silva Mello agradeceu o título de cidadão baiano concedido a ele pela Assembleia Legislativa, em sessão especial realizada na manhã de sexta-feira.
Marcada por muita emoção, a sessão proposta pelo deputado Zé Neto (PT) e presidida por Álvaro Gomes (PCdoB), teve a presença de autoridades, alunos do Colégio 2 de Julho e da cidade sergipana de Lagarto, de onde Josué Mello saiu, aos 17 anos de idade, para estudar na capital baiana. Aqui, Mello não só estudou, como tornou-se um dos educadores de maior prestígio do estado.
Em seu discurso, Josué Mello contou que aprendeu a ver a Bahia com os olhos do escritor José Alencar, como a "Atenas brasileira". Observou ele: "Com efeito, sendo um estado privilegiado, destacado entre todos como celeiro de personagens proeminentes nas artes, na poesia, nas letras, na oratória, na política e nas ciências, era natural que fosse comparado à antiga cidade-estado grega, centro dominante da nossa civilização, o mais importante berço cultural do mundo ocidental."
Após concluir os estudos na capital baiana, Josué Mello partiu em direção a Feira de Santana, onde constituiu residência e formou família e amigos. Na cidade conhecida como Princesa do Sertão, ele assumiu importantes funções, como professor, professor universitário, reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), secretário municipal de Educação e idealizador do SIM – órgão responsável por incluir cidadãos no mercado de trabalho.
SERVIÇOS
"Estou muito honrado de fazer uma homenagem a uma pessoa que tem tantos serviços prestados a Feira de Santana, à Bahia e também a Sergipe, seu estado de origem", observou Zé Neto, lembrando que o projeto de título de cidadão para o professor Josué Mello foi apresentado pela primeira vez na Assembleia Legislativa pelo então deputado estadual Waldenor Pereira (PT), que hoje está na Câmara Federal. Com o fim da legislatura, Zé Neto reapresentou o projeto.
Álvaro Gomes também fez questão de destacar os serviços prestados ao estado pelo professor e ex-reitor da Uefs. "Como uma pessoa que vive na Bahia desde 1953, com grandes contribuições para o nosso estado, não é cidadão baiano? E quanto mais o tempo passa, mais sábio ele fica. A Assembleia Legislativa se sente engrandecida por valorizar personalidades que contribuem dessa forma para o desenvolvimento da Bahia."
Josué Mello nasceu no povoado de Caraíbas e passou a infância e início da adolescência em Hortas, a três quilômetros de Lagarto. "Meu pai produziu 23 filhos, sendo 12 do primeiro casamento e 11 do segundo. Dos 23, apenas 12 sobreviveram. Achando que a família ficou pequena, adotou mais duas crianças recém-nascidas. Sou o único filho homem sobrevivente do segundo casamento", contou ele, em seu discurso de agradecimento.
Contrariando o pai, que o queria trabalhando na terra, Josué Mello veio para Salvador para estudar por conta própria. Foi acolhido aqui pelo Colégio 2 de Julho, onde estudou em regime de internato. "O colégio ofereceu-me mais que a formação escolar; ampliou minha visão de mundo, ajudou na minha forma espiritual e ética, possibilitou a construção de cidadania e o desenvolvimento de habilidades no campo da liderança", observou Josué Mello.
Depois, ele morou em Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina, onde se formou em teologia e sociologia. Com os diplomas em mãos e já casado, ele decidiu retornar à Bahia e morar em Feira de Santana. Foi pastor da Igreja Presbiteriana e, em 1965, iniciou sua vida profissional como professor de ensino médio e, depois, de ensino superior.
Participou da fundação da Uefs, onde foi professor de ciência política, pró-reitor acadêmico e reitor, entre 1991 e 1995. Implementou importantes projetos sociais em Feira, como a Associação de Feirense de Assistência Social (Afas) e o Serviço de Intermediação de Mão-de-obra (SIM), que "resultaram na erradicação da mendicância em Feira nos anos 60 e na capacitação de 25 mil migrantes", segundo o próprio Josué. Foi ainda presidente da Fundação 2 de Julho e por um ano e meio exerceu o cargo de secretário de Educação de Feira de Santana.
Participaram da sessão especial o reitor da Uefs, José Carlos Barreto Santana; o presidente da Fundação 2 de Julho, Agenor Jatobá; o presidente da Fundação José Silveira, Geraldo Leite; o presidente da Câmara de Vereadores de Lagarto, Wilson Fraga de Almeida, dentre outras diversas autoridades. O evento ainda contou com apresentações dos alunos do Colégio 2 de Julho.
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