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Eucalipto na pauta de comissão

Publicado em: 11/08/2011 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissão de Meio Ambiente vai tratar do problema da 'expansão desenfreada'' desta monocultura
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A monocultura do eucalipto na Bahia voltou à pauta da Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa. Na manhã de ontem, o colegiado se reuniu e deliberou os encaminhamentos sobre a expansão desenfreada do cultivo do eucalipto no estado, mais especificamente na cidade de Alagoinhas. De acordo com o deputado Joseildo Ramos (PT), já houve uma manifestação de rua no município e agora é preciso dar um retorno à população. O petista ressalta que o assunto deve ser objeto de debates importantes na Casa e, sobretudo, aprofundado junto ao Governo do Estado, através das secretarias do Planejamento (Seplan) e do Meio Ambiente (Sema).

"Esse é um assunto grave que, se não houver um suporte legal, trará grandes prejuízos para a Bahia. Precisamos tratar a questão com o Governo do Estado e construir um marco regulatório com zoneamento agroeconômico e ambiental planejado, que contenha regras capazes de definir e estabelecer o uso oportuno dos solos baianos", destacou.

Concordando com a importância do tema, o deputado e presidente da comissão, Adolfo Viana (PSDB), solicitou a ajuda do colega Joseildo para agendar uma visita do colegiado aos secretários Zezéu Ribeiro (Planejamento) e Eugênio Spengler (Meio Ambiente). "Tendo em vista a necessidade de discutir o tema e tomar decisões cautelosas, sugiro que marquemos um encontro com os secretários estaduais ainda dentro desses dias, ao invés de aguardar a vinda deles para a nossa próxima reunião, que só acontece daqui a uma semana", propôs Adolfo.

O deputado Joacy Dourado (PT) também frisou a complexidade do tema. Ele considera o eucalipto uma planta dominadora, que pode causar grandes impactos nas biodiversidades ambientais. "O processo de degradação ambiental provocado pelo plantio de eucalipto descontrolado gera um desequilíbrio difícil de ser revertido. É preciso que esta comissão continue o trabalho seriamente em cima disso", afirmou.

Na oportunidade, o deputado Luizinho Sobral (PTN) chamou a atenção para a audiência pública que será realizada no dia 26 de agosto em Irecê, com o objetivo de debater assuntos pertinentes ao desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente na região. De acordo com Sobral, serão abordados temas como desmatamento, políticas públicas de planejamento, controle e gestão dos recursos hídricos, poços artesianos, utilização racional e reaproveitamento das águas, desertificação, além da situação do lençol freático e perenização dos rios Verde e Jacaré.

"Solicito a presença de todos para que possamos discutir a grave situação em que o município de Irecê se encontra. Uma região que já foi considerada celeiro da Bahia e do Brasil hoje vê suas terras sem qualidade e a possibilidade da falta de água é constante. Precisamos debater os problemas surgidos e, acima de tudo, buscar meios para solucioná-los", concluiu o parlamentar.

Os prejuízos trazidos com a escassez de chuvas também foram levantados pela deputada Fátima Nunes (PT). A petista destacou a necessidade de discutir o tema no âmbito da comissão, convocando técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. (EBDA) e agricultores das regiões atingidas, a exemplo dos municípios de Adustina, Cícero Dantas, Coronel João Sá, Fátima, Jeremoabo, Sítio do Quinto e Pedro Alexandre. "Sabemos que a ausência de chuva traz, consequentemente, a falta d’água, e sem água não há vida. Neste segundo semestre, vamos priorizar a questão da seca e levar a situação ao Ministério da Agricultura", enfatizou a deputada, recebendo o apoio do colegiado.

Outro ponto importante foi colocado pelo deputado Adolfo Viana. Noticiada no jornal A Tarde, a extração ilegal de areia em Camaçari foi embargada pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O parlamentar afirma que a comis-são também irá tratar deste assunto durante o encontro com o secretário do Meio Ambiente, Eugênio Splenger. O petista Joacy Dourado esteve de acordo e reafirmou a importância do colegiado se posicionar em relação a esse tipo de clandestinidade.



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