A Bahia deve receber US$ 5,95 bilhões em investimentos no Turismo até 2017, e isso somente em projetos da iniciativa privada. Sessenta e três por cento desse montante foram captados nos últimos três anos e meio pela Secretaria do Turismo, que contará ainda com recursos públicos da ordem de US$ 122 milhões alocados entre 2010 e este ano para a execução de políticas e programas de desenvolvimento do setor. Os números foram apresentados ontem pelo secretário Domingos Leonelli em audiência pública na Assembleia Legislativa, onde o Turismo Religioso e a Sustentabilidade foram os temas centrais.
Ancorada em três eixos básicos, a política estadual para o segmento tem focado suas ações na Inovação, na Qualidade e na Integração Econômica. Esse terceiro vetor pretende "corrigir o modelo de desenvolvimento" executado por gestões anteriores que dissociou os parques hoteleiros das economias regionais e, embora em processo inicial, começa a se mostrar uma política de resultados.
É o caso dos novos roteiros do vinho (no São Francisco) e do chocolate (no Sul). Ainda que ponderando sobre as dificuldades inerentes à construção e consolidação de um novo vetor turístico (aquele que alia o parque hoteleiro à criação de entorno produtivo com absorção da mão-de-obra local num processo de integração econômica), o secretário anunciou que, ao lado dessas inovações, outras serão incluídas, a exemplo da produção da cachaça da Chapada Diamantina e de charutos, no Recôncavo baiano.
E anunciou "um grande projeto" para a região do Baixo-Sul, que, a partir da produção local de piaçava, tilápias e outros itens da cadeia alimentar, atrairá um complexo hoteleiro de grande porte. O projeto está sendo capitaneado pela Odebrecht e vai ao encontro da política estadual que busca combinar crescimento turístico com expansão econômica. É assim, diz Leonelli, que o turismo "se tornará o que deve ser: um indutor do desenvolvimento."
RELIGIOSIDADE
A Bahia tem enorme potencial turístico, inclusive para o segmento religioso, que vem expandindo-se no Brasil, diz o deputado Capitão Tadeu (PSB), promotor da audiência pública que analisou as possibilidades para o segmento. Hoje, 3,5% de todas as viagens domésticas realizadas no Brasil têm motivação de fé, nicho que movimenta R$ 6 bilhões/ano, revelou Domingos Leonelli. E a Bahia ostenta uma gama de produtos turísticos distribuídos por todo o seu território que pode atrair fiéis e incrementar o segmento.
Bom Jesus da Lapa, Anguera (na região de Feira de Santana), Trilha de Santiago do Periperi (Vitória da Conquista), Monte Santo, Procissão do Fogaréu (Serrinha), Santuário de Cadeias e Salvador, com os futuros Memorial e Praça Irmã Dulce, são destinos olhados com atenção pela Secretaria do Turismo, que já investiu R$ 10 milhões em recuperação de igrejas e sítios religiosos na Bahia.
Até o ano que vem, novas ações estatais serão concretizadas de forma a incentivar a ampliação do turismo religioso no estado. Criação de uma comissão especial e realização de pesquisa específica que dimensione o segmento são duas delas. Mapeamento das festas religiosas, marketing específico, prospecção de novos roteiros e lançamento de três guias turísticos que atendam aos devotos da Igreja Católica, aos evangélicos e aos praticantes do candomblé completam a lista das medidas a serem entabuladas pelo governo do Estado e reveladas ontem pelo secretário Leonelli, para quem a monocultura não é desejada e a diversidade de fé dos baianos deve ser tratada "com o mesmo respeito, embora de maneira diferenciada."
CICLOS
Ao analisar a potencialidade da Bahia para o turismo, Domingos Leonelli fixou o desenvolvimento da atividade em três grandes saltos, cronologicamente fixados. O primeiro deles ocorreu entre os anos 1934 e 1960, quando definiu-se nossa "identidade turística e cultural". O segundo eixo compreende os anos 70 até 2006, período em que ocorreram ações de planejamento, infraestrutura, promoção e construção do parque hoteleiro.
O terceiro salto começa em 2007 quando, então, começa a vigorar o atual tripé Inovação, Qualidade e Integração Econômica que norteia as políticas e programas oficiais de desenvolvimento e consolidação do setor.
Neste terceiro eixo foi criada, ainda, uma secretaria de governo específica; houve o alinhamento entre governos estadual e federal; amplia-se a infraestrutura; inicia-se o processo de produção associativa do turismo; desenvolve-se a qualificação profissional (com investimentos de R$ 5 milhões de recursos públicos) e há a formatação de novos produtos.
São ações que revelam a importância e buscam a consolidação do turismo "como vetor de desenvolvimento socioeconômico e gerador de emprego e renda", disse o deputado Capitão Tadeu, que promoveu a audiência pública como forma de "franquear ao poder público os mecanismos de debate que contribuam para maior alavancagem do turismo na Bahia". Participaram das discussões e análises, além do secretário Domingos Leonelli e do Capitão Tadeu, Sílvio Pessoa, do Conselho Baiano de Turismo; Cláudio Tinôco, da Empresa Salvador Turismo (Saltur); Carmélia Amaral, professora e consultora do Ministério do Turismo; Marita Souza, titular da Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur) e representantes de entidades e movimentos organizados vinculados ao setor.
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