Em emocionada e concorrida sessão especial, o general Racine Bezerra de Lima Filho recebeu o título de Cidadão Baiano que lhe outorgou a Assembleia Legislativa, por unanimidade, após aprovação de projeto de resolução neste sentido do deputado Reinaldo Braga (PR). A cerimônia foi realizada no auditório do anexo, por conta do prolongamento da sessão ordinária em que foi votado o projeto de emenda constitucional que permitirá ao Estado obter adiantamento das receitas referentes aos royalties da Petrobras.
Os trabalhos foram dirigidos pelo presidente do Legislativo, deputado Marcelo Nilo, que suspendeu a sessão ordinária que ocorria no plenário para permitir que os parlamentares participassem da homenagem prestada ao general Racine, atualmente comandante da VI Região Militar. Inicialmente, ele constituiu uma comissão suprapartidária para acompanhar o homenageado ao local, integrada pelos deputados Aderbal Caldas (PP), Mário Negromonte Júnior (PP), Pastor Sargento Isidório (PSC), Jurandy Oliveira (PRP) e Carlos Ubaldino (PSD). Ele foi aplaudido de pé ao adentrar na sala da sessão especial.
MESA DE HONRA
Compuseram a mesa de honra dos trabalhos, além dos deputados Marcelo Nilo, Reinaldo Braga e o próprio homenageado, os comandantes militares sediados na Bahia, da Base Aérea de Salvador, tenente-coronel-aviador Adolfo Aleixo da Silva Júnior, e o vice-almirante Antonio Fernando Monteiro Dias, do II Distrito Naval. Também integraram o colegiado o ex-governador Waldir Pires, o chefe da Casa Militar, Coronel Carlos Augusto Gomes Souza e Silva (representando o governador Jaques Wagner), o pai do general Racine, o capitão do Exército (da reserva) Racine Bezerra Lima, e o general-de-Exército, Mário Sérgio Rodrigues de Matos.
A sessão solene foi aberta com a execução do Hino Nacional Brasileiro pela banda da VI Região Militar, que já houvera sido regida pelo pai do homenageado, quando serviu no 19º Batalhão de Caçadores, seguido do pronunciamento de saudação feito pelo deputado Reinaldo Braga, que salientou como é "econômico, avaro mesmo", na concessão dessa que é a maior honraria existente numa casa legislativa a personalidades com serviços prestados à Bahia, pois em seus oito mandatos consecutivos, essa foi a segunda oportunidade em que apresentou proposição neste sentido.
No discurso, explicou as razões que o fizeram homenagear o comandante da Região, um homem umbilicalmente ligado à Bahia e aos baianos, que aqui escolheu para viver. "Um soldado profissional com expressiva folha de serviços prestados ao Exército, à Bahia e à nossa pátria, nos moldes exigidos pela democracia plena, amparada não apenas pelas Forças Armadas, mas pelos cidadãos." Disse ainda que "o Exército do general-de-divisão Racine é uma força moderna, hierarquizada, que, além de cumprir sua missão constitucional, atua também na manutenção da ordem e da segurança pública, através da Força Nacional, sem deixar de cumprir o seu papel externo de dissuasão". Reinaldo Braga fez ainda um breve resumo da carreira profissional "impecável" do general.
Em rápida fala, Marcelo Nilo lembrou que a Assembleia é a Casa do povo, das leis e da representação popular e da rigidez que preside a concessão dessa honraria. Revelou que, quando o deputado Reinaldo Braga apresentou o projeto de resolução, a aprovação foi imediata, pois era conhecida a história do general Racine, que teve a felicidade de nascer nos Pampas para ser adorado pelos baianos, um ser humano exemplar.
AGRADECIMENTO
No seu discurso, o general Racine lembrou que chegou a Salvador ainda menino, aos 13 anos de idade. Filho de pai alagoano, cursou o Colégio Militar de Salvador de 1968 a 1973. Devido a imposições do trabalho, precisou se ausentar da Bahia, mas voltou sempre que possível – e depois comandou o 19º BC. "Na profissão militar é comum essas mudanças, mas ao longo dos anos foi nascendo em mim um encanto natural pela Bahia. Sou encantado com a diversidade cultural. Um estado impressionante, digno da nossa admiração", disse, afirmando que já se sente baiano, apesar de ter muito orgulho de ter nascido no Rio Grande do Sul.
A sua carreira como oficial do Exército Brasileiro começou no 19º Batalhão de Caçadores, no Cabula, em Salvador, onde permaneceu até seguir para a Escola de Educação Física do Exército, três anos depois. Retornou à mesma unidade militar de Salvador, em 1981, ficando na Bahia até 1986, quando cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, no Rio de Janeiro. Retornou mais uma vez ao 19º BC, permanecendo na Bahia até 1991. Emocionado, encerrou afirmando que "somos homens e mulheres da boa vontade, que essas energias nos movam sempre para frente e para o alto e que possamos legar um clima de progresso conquistando a paz social, num clima seguro e estável".
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