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Concorrida solenidade marcou lançamento da obra de André Barbe

Publicado em: 06/12/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

Representando o presidente Marcelo Nilo, Délio Pinheiro falou sobre o trabalho cultural da AL
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O misticismo presente em terras da Bahia e a realidade histórica vivida por escravos e senhores de engenho no Recôncavo do século 19, nas palavras do autor, o embaixador André Barbe, inspiraram o romance Ouro Branco Suores Negros, lançado ontem no Café Terrasse, da Aliança Francesa. Cerca de 150 pessoas compareceram ao evento que foi encerrado às 21h10, quando o autor autografou o último exemplar da obra.
O livro foi editado em dois volumes para facilitar o manuseio dos leitores, inserindo-se no contexto do selo Ponte da Memória, que traz a lume trabalhos de valor histórico ou documental. O trabalho foi editado pela Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa em continuidade ao programa editorial executado pelo presidente do Poder, deputado Marcelo Nilo, que não pode participar do ato, pois precisou se deslocar para o interior do estado.
Representando o presidente, o assessor da presidência para assuntos culturais, professor Délio Pinheiro, traçou um breve perfil do trabalho realizado pela Assembleia nos últimos seis anos, quando o programa editorial se consolidou e foi ampliado. Participaram ainda do ato representantes de diversos países do corpo consular existente na Bahia, com destaque para membros da missão da França em nosso estado, membros da colônia francesa, professores universitários, acadêmicos, escritores e amigos de André Barbe, que fixou residência aqui depois de se aposentar do Quai d’Òrsay, o Ministério das Relações Exteriores da França.

PROJETO

Tendo como cenário a Baía de Todos os Santos e o belo pôr do sol observado no alto da Ladeira da Barra, André Barbe agradeceu a todos que colaboraram para a realização do sonho de escrever o romance histórico "Ouro Branco Suores Negros", inclusive a esposa, responsável pela digitação e correção do texto, as três professoras que verteram o texto para o português e a Claudius Portugal, responsável pela revisão literária final. Em seguida, abriu o coração e falou da gênese do romance e de suas linhas gerais, destacando a sua necessidade de permanecer ativo, focado em um objetivo de trabalho depois da aposentadoria, para não incorrer no ócio e se manter produtivo.
Com bom humor, ele discorreu sobre todo o processo de definição do cronograma a cumprir, inclusive delimitação do período histórico, pesquisas que realizou e do impacto que a beleza do Recôncavo, da luz e do mar da Bahia e de sua gente teve sobre a sua vida. O ex-embaixador contou ainda como se inteirou nos mistérios da religiosidade africana e da dificuldade que encontrou para escrever ficção – acostumado que estava a redigir os áridos textos diplomáticos, repisando que Ouro Branco Suores Negros foi concebido e criado como uma obra de ficção, embasado em fatos históricos, mas sem a metodologia rigorosa usada pelos historiadores.
Antes de encerrar, dedicou palavras de afeto e admiração à professora Celina Scheinowitz, da Universidade Federal da Bahia, autora do "elegante" prefácio, a Marcelo Portugal, responsável pelo projeto gráfico, à Assembleia Legislativa da Bahia na pessoa de seu presidente, o deputado Marcelo Nilo. Lembrou o resgate de títulos históricos como Cascalho, de Herberto Sales, que terá nova edição lançada no próximo dia 15, além de cultuar e resgatar a memória dos grandes vultos da história baiana, como Ruy Barbosa (biografado em título relançado pela Casa), e também das pessoas do povo que se destacaram nas mais variadas áreas de ação humana, representadaos na coleção Gente da Bahia, que no dia 13 lança cinco livros com os perfis do maestro Lindemberg Cardoso, do maestro Carlos Lacerda, do radioescuta Gabriel Saraiva, do artista plástico Calasans Neto e do alfaiate Walter Spinelli.
O coordenador da edição, Délio Pinheiro, lembrou que, entre a recepção do original e a data do lançamento, transcorreu-se cerca de um ano, prazo para a realização de um trabalho cuidadoso como bem exigia a obra, pois, ao contrário do que se imagina, a tarefa editorial depende ainda muito de artesania, mesmo no mundo digital presente no século 21. Délio Pinheiro destacou também as dificuldades enfrentadas pelo Legislativo para dar prosseguimento a esta tarefa, pois "não somos uma editora, mas temos a obrigação de nos esforçar para integrar o quadro editorial baiano e assim contribuir com a cultura de nossa terra e com a preservação da nossa memória e melhores tradições". Ele revelou em seguida que só nos últimos quatro anos a Assembleia lançou 50 livros, destacando a importância da coleção Gente da Bahia, que no dia 13 passa a contar com 16 volumes impressos e distribuídos e, em janeiro, com o lançamento de outros cinco, consolida-se completamente.

PERFIL

André Barbe nasceu em1939 na França, estudou Humanidades, depois seguiu carreira de docente, ingressou no Quai d’Òrsay e na diplomacia francesa, onde galgou todos os degraus até ministro plenipotenciário, ocupando todos os cargos consulares, cônsul e cônsul-geral; e diplomáticos, secretário de embaixada, ministro e embaixador. Foi agraciado pelos serviços prestados ao Estado Francês com a condecoração de Chevalier de La Légion d`Honneur.
A escrita de André Barbe é marcada pela erudição – histórica, antropológica, etnográfica, cultural, científica e também linguística. A esta erudição se alia uma exacerbação da imaginação criadora e da fantasia. Com 740 páginas, o livro atesta a vitalidade do romance XXI, gênero que se pensava prestes a desaparecer.



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