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Colegiado debate trabalho de prevenção e combate à Aids

Publicado em: 01/12/2010 00:00
Editoria: Diário Oficial

Audiência pública foi promovida pela Comissão de Promoção de Igualdade, presidida por Bira Corôa
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A situação atual do trabalho de prevenção e combate à Aids na Bahia foi discutida ontem, durante audiência pública promovida pela Comissão de Promoção de Igualdade da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Bira Corôa (PT). O encontro, que contou com a participação de representantes de pessoas soropositivas e coordenadores de programa de atenção aos pacientes da doença nas esferas municipal e estadual, faz parte das comemorações do Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado neste 1° de dezembro.
"Hoje (ontem), tivemos um avanço com relação ao encontro anterior", resumiu Bira Corôa. De acordo com o parlamentar, além da formação de profissionais, desde o atendente até o infectologista, a informação é ferramenta fundamental para a mudança de hábitos e evitar o preconceito. "Se os grandes centros, como Salvador, Camaçari e Feira de Santana seguem sem ter atendimento adequando, imagine nos 88% dos municípios considerados de médio e pequeno porte", preocupou-se o deputado.
Entre os debatedores, o panorama apresentado foi de deficiência no trabalho de prevenção e tratamento. A coordenadora do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (Gapa-Bahia), Gladys Almeida, considerou que na Bahia ainda há deficiências na prevenção e tratamento aos pacientes soropositivos. "Isso se configura na negação aos direitos dos pacientes", disse. Ela criticou a banalização da epidemia, que atinge principalmente a população mais pobre; a desvalorização do trabalho da sociedade civil e a fragilidade no campo da prevenção e tratamento.
Regina Lasmar, representante da unidade estadual da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS, utilizou-se de cartazes mostrados na plateia para destacar os problemas enfrentados pelo estado. "Hoje um paciente espera oito meses por uma consulta. Isso não é tratamento. O Ministério da Saúde classifica como abandono um espaço maior que cinco meses entre consultas", disse. Segundo ela, faltam Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e diálogo entre as instâncias para desenvolver prevenção e tratamento. "Faltam infectologistas, são 71 para todo o estado", disse.
A existência de uma alta incidência (8,2%) de transmissão vertical (passada da gestante para o bebê) da doença foi ressaltada por diversos debatedores. Para a coordenadora estadual de DST/Aids da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Maricélia Macedo, trata-se de um problema "vergonhoso". "Esta situação é absurda porque é de fácil prevenção", disse. Segundo ela, há necessidade de melhorar a prevenção e o diagnóstico precoce, além da desburocratização para o acesso aos insumos de prevenção. "Hoje uma profissional do sexo pede vários preservativos no posto de saúde e recebe apenas um", afirmou.
Representando a Sesab, a diretora do hospital Couto Maia, Ceuci Nunes, lembrou que há necessidade de melhorar o diagnóstico precoce. "Cerca de 40% dos pacientes que ficam internados recebem diagnóstico no hospital, quando procuram atendimento por estarem com doenças oportunistas", afirmou. Já a representante da coordenação municipal de DST/Aids de Salvador, Sofia Campos, observou o seguinte: "Precisamos trabalhar principalmente na prevenção e na educação, senão ficaremos sempre apagando incêndios."

LANÇAMENTO

Será lançado hoje, às 14h, na Uneb, pela Secretaria da Saúde, o Plano Estadual de Prevenção e Combate ao HIV/Aids.



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