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Sessão especial na Assembleia celebra Campanha da Fraternidade

Publicado em: 20/03/2026 17:43
Editoria: Notícia

A questão da moradia esteve no centro do debate promovido pelos petistas Marcelino Galo e Maria del Carmen
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
Salvador possui 42% de pessoas vivendo em favelas. O alerta foi feito pelo do deputado Marcelino Galo (PT), durante a sessão especial para tratar da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo lema é justamente “Fraternidade e Moradia – Ele Veio Morar Entre Nós”. A iniciativa para realização do evento, ocorrido na manhã desta sexta-feira (20), foi dele e da deputada Maria del Carmen (PT).

Primeiro a se pronunciar, Marcelino disse que, mais do que um teto, a moradia representa um lugar para viver com dignidade, possuir um endereço, ter um lar. O parlamentar evidenciou uma eterna contradição humana: “Estamos falando aqui de moradia, enquanto vivemos guerras que estão destruindo moradias, assassinando crianças e mulheres, levando a uma situação tão traumática”. Ele disse sentir a dor de ver a situação e não saber o que vai acontecer.

O petista afirmou que o Brasil, sendo um dos países mais desiguais do mundo, nega acesso a uma vida digna aos pobres. “Estamos vendo como se comporta a elite, com esse escândalo em que mulheres são trazidas do exterior como mercadorias para participar de farras bilionárias para corromper”, disse, citando o Caso Vorcaro. Em vista disso, ele defendeu que “o povo merece uma representação política em todas as suas instâncias de poder”.

Del Carmen definiu moradia como “o espaço onde se constrói a família, onde se sonha o futuro e onde se fortalecem os laços que sustentam a sociedade”. Além disso, um direito assegurado pelas constituições estadual e federal, mas, infelizmente, ainda é um direito negado a milhões de brasileiros.

“A campanha da fraternidade, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos convida a transformar reflexão em ação, nos chama a olhar para os invisibilizados, as famílias que vivem além disso, os que enfrentam o desastre nacional, aqueles que convivem com a insegurança”, disse, lembrando que não podemos nem naturalizar a desigualdade, nem a aporofobia, ou seja, o desprezo ou indiferença pelos pobres. Ela defendeu ainda o fortalecimento de programas sociais.

MENSAGEM

A presidente Ivana Bastos lamentou não poder estar presente, por não se encontrar em Salvador, mas deixou uma mensagem para ser lida em plenário. Nela, a parlamentar disse que “falar de moradia é falar do lugar em que a vida acontece onde cada pessoa deveria se sentir protegida e respeitada”. Ela parabenizou Maria del Carmen e Marcelino pela iniciativa de trazerem o tema da campanha da fraternidade para dentro do Parlamento da Bahia.

O pároco de Nossa Senhora de Guadalupe, no Alto do Peru, padre José Carlos, destacou que a campanha da fraternidade deste ano está profundamente ligada à do ano passado, que falou de ecologia integral, citando a encíclica Laudato Si, do papa Francisco que defende a ecologia integral que conecta a crise ambiental à crise social. “O documento diz que tudo está interligado, criticando o consumismo, o paradigma tecnológico e o descarte, defendendo o estilo de vida sustentável”. Por isso, ele disse que a moradia digna tem que ser acompanhada do emprego, da educação e segurança.

O arcebispo de Salvador, dom Sergio da Rocha, por sua vez, disse que a moradia tem que ser vista como um direito de todos e não ser reduzida a uma mercadoria. O religioso explicou que o subtema “Ele veio morar entre nós”, foi extraído do Evangelho Segundo João, que fala nesse trecho sobre a presença amorosa de Deus caminhando com o seu povo sofredor. Em seguida ele realizou a oração da campanha da fraternidade. Foi exibido em seguida um vídeo em que o padre Júlio Lancellotti, de São Paulo, elogia os proponentes por trazerem o problema da habitação para ser discutido na Assembleia.

O pastor da Igreja Presbiteriana Unida, Augusto Amorim, e Patrícia Oliveira, da Cebi (Centro de Estudos Bíblicos Ecumênico), cantaram Seu Nome é Jesus Cristo, antes do pronunciamento seguinte. Eles entoariam ainda mais duas canções. Logo após, foi a vez do representante da Cáritas Regional Nordeste 3, Geri Lima, apresentar números sobre a tragédia nacional: seis milhões de pessoas que vivem sem moradia, outros 26 milhões que estão em condições e situações inadequadas, habitando áreas de risco. Maria Nunes foi chamada, então, para declamar o poema O Bicho, de Manoel Bandeira, uma denúncia da desumanização da pessoa, escrita na década de 40 do século passado, mas ainda tão atual.

O frei Lorrane Clementino foi para a sessão acompanhado de Leila e Eric, que se encontram vivendo nas ruas do Pelourinho para fazer um recorte daquele local. “Tantas casas, tantos prédios fechados, abandonados, mas as pessoas preferem que eles caiam na cabeça de alguém, enquanto existem inúmeras pessoas lá precisando de um lar para se sentirem seguras”. Ele contou que foi aberta a Casa de São Francisco, na Igreja São de Francisco, há pouco mais de um mês e a cada dia o número de pessoas vão lá por não ter um lugar para colocar a cabeça.

Carlos Alberto dos Santos falou em nome do Movimento Social de Luta por Moradia e Cidadania (MSMC), ao tempo em que pediu ajuda dos parlamentares para intermediar uma reunião com a Sedur, pois há dois anos vem sendo tentado sem sucesso. Em nome do Movimento dos Sem-Teto de Salvador (MSTS, Aidinalva Barbosa. Ela revelou a experiência como mãe de filho excepcional com dificuldade de moradia.

Ailton Ferreira, assessor especial da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), e Gisele Ramos, chefe de Gabinete do Bahia Sem Fome, foram os últimos a falar, ambos representando o Governo do Estado. Também compuseram a mesa de honra a coordenadora do Núcleo de Gestão Ambiental da Defensoria Pública do Estado, Marina Pimenta; delegada titular da Casa da Mulher Brasileira, Karina Lopes, o superintendente da Desenbahia, André Fidalgo; o presidente do Centro Afro Promoção Defesa da Vida (CAPDever), padre Ferdinando Caprine; e o tenente-coronel Paulo César Luz Nunes.


Reportagem: Paulo Menezes
Edição:Franciel Cruz



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