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Médico legista Lamartine Lima já é o mais novo cidadão baiano

Publicado em: 11/04/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

O médico legista Lamartine Lima recebe o título de cidadão baiano das mãos de Heraldo Rocha e do presidente da AL, Marcelo Nilo
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O médico alagoano Lamartine Lima foi condecorado ontem pela Assembléia Legislativa com o título honorífico de cidadão baiano. A entrega da honraria ocorreu em concorrida sessão especial presidida pelo presidente Marcelo Nilo (PSDB), contando com a presença de amigos, familiares e colegas de profissão. A homenagem, aprovada por unanimidade, foi proposta pelo deputado Heraldo Rocha (DEM), a quem coube fazer o discurso de saudação.
"Este é um momento de amor", disse o parlamentar definindo a presença de todos para prestigiar Lamartine, médico formado na turma de 1968 da Faculdade de Medicina da Bahia que se dedicou à carreira militar naval e, posteriormente, à Medicina Legal. Heraldo destacou que a concessão do título representa a mais alta distinção, conferida com muito critério pela Assembléia. "Eu mesmo, em cinco mandatos, só propus três títulos", contou, considerando que trata-se de uma iniciativa que exige responsabilidade.

TÁBUA DOS ORIXÁS

Lamartine e Heraldo, o primeiro alagoano e o segundo carioca, se encontraram no estudo das ciências médicas, na capital baiana. Daquela época, lembrou de uma Salvador "de noites de luar tranqüilas e agradáveis no Vale do Canela". Ali o estudante Lamartine conduzia as tertúlias dedilhando seu violão junto com os amigos, na Taba dos Orixás, recanto da boemia acadêmica.
Tem sido assim ao longo da vida: Lamartine conduz paralelamente sua profissão com a atuação social e cultural. Ao longo de 30 anos construiu sua carreira militar, na qual alcançou o mais alto posto de oficial superior, tendo percorrido o mundo no desempenho da função. De retorno à Bahia, onde a exemplo do mestre e conterrâneo Estácio de Lima revelou querer ser enterrado, tornou-se professor da Faculdade Bahiana de Medicina e médico legista no Instituto Nina Rodrigues.

MÚLTIPLA

Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), chegando a secretário-geral da instituição, foi também sócio de entidades voltadas para a Medicina Legal e um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Direito Médico. Ao lado da socióloga Lita Anastácio, organizou a Casa de Apoio para Transplantados, no Santo Antônio Além do Carmo. É hoje um dos curadores da Fundação Pierre Verger, tendo ingressado na instituição a convite do próprio etnólogo francês. É também irmão da Santa Casa de Misericórdia, entre outras múltiplas atividades.

SONHOS

Após ser agraciado com o título e ouvir o colega do IGHB Cid Mascarenhas declamar o poema Vida e sonhos, de Bráulio de Abreu, foi a vez de Lamartine ocupar a tribuna para contar sua saga baiana. O discurso descreveu o encantamento do adolescente chegando à Bahia; os estudos no Ginásio João Florêncio Gomes, na Ribeira; e a infância, em engenho de cana-de-açúcar no interior de Pernambuco, fazendo lembrar as peripécias de Carlinhos, o narrador-protagonista de Menino de Engenho, de José Lins do Rego.
A memória afetiva do médico fez referência aos antigos mestres e colegas de profissão, a exemplo dos professores Francisco de Magalhães Neto, Estácio de Lima e o próprio Heraldo Rocha. Ele citou também outros "filhos adotivos da Bahia", personagens que se destacaram, como o goiano Aristides Novis e o cearense Juracy Magalhães. Lamartine definiu o ingresso no Colégio Central como "um fator determinante da baianidade cultural" e reconheceu que foram "muitas as pessoas e famílias" a quem deve "os gestos de gentileza e demonstrações de cortesia". Em pronunciamento detalhado, parecia tentar não esquecer ninguém.
Ao final da sessão, Marcelo Nilo se disse emocionado e honrado por poder conceder o título em nome da Assembléia Legislativa. Ele se disse feliz também pela iniciativa ter partido de Heraldo, colega de mandato há 17 anos e com quem mantém amizade fraternal, apesar de sempre terem atuado em campos opostos na política.



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