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Comissão de Segurança Pública tentará evitar greve de policiais

Publicado em: 27/03/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Foi tensa a audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública que discutiu o impasse entre governo e policiais
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A Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, presidida pelo deputado Fernando Torres (PRTB), vai intermediar as negociações entre os policiais civis e militares para evitar que uma greve ocorra no setor. O primeiro passo nesse sentido foi dado, na manhã de ontem, durante audiência pública realizada para discutir a crise provocada pela proposta de reajustes diferenciados para delegados, oficiais da PM, policiais militares, agentes da Polícia Civil e peritos. Os integrantes do colegiado agendaram um encontro ontem mesmo com o secretário estadual de Administração, Manoel Vitório, para discutir uma saída para o imbróglio.
Os agentes de Polícia Civil não aceitam o fato de a proposta prever um reajuste de 4,46% para a categoria, enquanto os delegados receberiam um aumento de 38,21%. De acordo com o projeto, os oficiais PM também receberão um reajuste maior do que os policiais, cabos e sargentos, que terão um reajuste semelhante ao dos agentes e peritos da Polícia Civil. Na audiência de ontem, integrantes das duas corporações compareceram em grande número à AL e reafirmaram suas insatisfações quanto aos percentuais propostos.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Policiais Civis, Hércules Oliveira, a categoria está preparada para entrar em greve. "Nós, que arriscamos nossas vidas todos os dias nas ruas da cidade, não teremos medo do resultado de uma paralisação. Só não podemos mais ser tratados com tanta humilhação por um governo que nós ajudamos a eleger."
Diante dos discursos dos policiais cada vez mais inflamados, o deputado Capitão Tadeu (PSB) pediu calma e que a categoria esperasse o fim das negociações para tomar qualquer decisão mais radical. "A negociação está aberta no Legislativo. Por isso, faço um apelo aos policiais: nos dê tempo para que possamos abrir um canal de diálogo entre a categoria e o governo."
Apesar disso e de pertencer à base governista, o parlamentar não poupou críticas à atuação do governo na área de segurança pública. "O nível de insatisfação dos policiais militares e civis chegou ao limite. E não é só por conta da questão dos salários. Há insatisfação pela falta de condições de trabalho e pela falta de estímulo", afirmou, explicando que um policial militar leva, em média, 25 anos para receber "a primeira, única e última" promoção da carreira.
O deputado Gaban (DEM) foi outro a pedir bom senso aos policiais. "Podemos discutir uma proposta intermediária, a exemplo de reajuste escalonado, que venha atender aos anseios dos policiais e a possibilidade de caixa do governo."
Também participaram da audiência os deputados Yulo Oiticica (PT), Zé das Virgens (PT), Getúlio Ubiratan (PMN), Antonia Pedrosa (PP), Eliedson Ferreira (DEM), Gildásio Penedo (DEM), Misael Neto (DEM), além de dezenas de representantes dos policiais. Para a próxima quinta-feira, a comissão aprovou com urgência uma nova audiência pública para discutir a crise da segurança pública na Bahia. O novo secretário da área, César Nunes, será convidado para participar do encontro.



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