A Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado Nelson Leal (PSL), voltou a discutir, ontem, a situação ambiental na região de Jaguarari, em decorrência da exploração do cobre pela Mineradora Caraíba, que tem sede na localidade. Também foi discutida a situação de outras áreas de mineração no estado e a necessidade de um maior controle sobre o avanço da monocultura do eucalipto e da cana-de-açúcar na Bahia. Além disso, foi proposta pelo deputado Luís Argolo (PP) a criação de uma sub-comissão da Seca e Recursos Hídricos no âmbito da Comissão permanente de meio ambiente.
Segundo Nelson Leal, a Mineradora Caraíba, através de seus representantes, ainda não apresentou defesa em relação às acusações feitas na AL pela presidente da Federação das Associações e Entidades do Semi-árido (Faesa), Maria do Remédio Leite de Santana, de que a empresa estaria cometendo crime ambiental na região, prejudicando os produtores. A situação da região foi verificada in loco por deputados da Comissão .
Nelson Leal informou que fará um requerimento para que, em um prazo de 15 dias, a empresa apresente a sua defesa e que, caso não haja resposta, serão acionados a Procuradoria da Casa e o Ministério Público.
O deputado Paulo Câmera (PTB) ressaltou que o chocante é o desrespeito da empresa em relação à Comissão do Meio Ambiente. O deputado petebista também manifestou grande preocupação com a situação da multinacional Bahia Mineração Ltda, instalada em Caetité, e que antes de conseguir licenciamento ambiental, desmatou, ilegalmente, dezenas de quilômetros para construção, inclusive, de vias de acesso.
MONOCULTURA
A expansão desordenada da monocultura de eucalipto, e mais recentemente da cana-de-açúcar no estado, também é motivo de preocupação para os deputados que compõe a Comissão de Meio Ambiente da AL. Nelson Leal afirmou que não pode ser contra o desenvolvimento econômico mas tem a convicção de que a monocultura acaba sendo ruim para qualquer região.
Segundo Leal, as grandes empresas do setor estão adquirindo pequenas e médias propriedades com um preço acima do valor de mercado, o que ilude em um primeiro momento o pequeno produtor. "Mas o que estamos vendo é que depois de dois ou três anos o dinheiro acaba e essas famílias passam a compor os bolsões de miséria dos municípios", afirmou.
Os perigos do crescimento da monocultura no estado foi reiterado pelo deputado Paulo Câmera que informou que o plantio de eucalipto, antes restrito ao Extremo Sul, agora já está se aproximando da região Sul, principalmente através da troca por créditos de carbono. ‘São áreas degradadas que estão sendo recuperadas dessa forma, mas não se sabe qual é o impacto disso e é necessário que haja um forte controle dos órgãos competentes nessa questão", completou.
Sobre a proposta do deputado Luís Argolo para criação da subcomissão da Seca e Recursos Hídricos ficou decidido que o requerimento apresentado será analisado pelos deputados e votado na próxima sessão ordinária da Comissão. Participaram também da sessão os deputados petistas Isaac Cunha e Fátima Nunes.
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