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Tensão na CDH com sem-terras Integrantes do MST denunciaram conflitos no interior baiano

Publicado em: 24/03/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Integrantes da Comissão de Direitos Humanos ouviu membros do MST sobre tensaõ decorrente de conflitos agrários no interior da Bahia
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Situações de conflitos, ocupações de terras, reintegração de posse, pedidos de segurança de vida e ações truculentas por parte das polícias no interior do estado foram os principais temas debatidos ontem, na Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da AL, presidida pelo deputado Fernando Torres (PRTB). Na reunião, que durou mais de duas horas, representantes do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – e alguns deputados relataram o atual quadro encontrado nas comunidades de Riacho Grande, no município de Casa Nova, e no acampamento Euclides Neto, na cidade de Wenceslau Guimarães.
 Os deputados petistas Yulo Oiticica e Paulo Rangel demonstraram enorme preocupação em relação ao conflito na área do município de Casa Nova. “Aquelas terras foram ocupados há mais de 20 anos e eram um latifúndio improdutivo, que pertencia à empresa Camaragibe”, salientou Yulo, relatando que recebeu da referida comunidade a denúncia de que as polícias militares, civis e federais e um grupo de combate ao plantio de drogas na caatinga destruíram casas de posseiros, soltaram animais, causando um grande prejuízo aos moradores.
 Este fato foi estranhado pelos membros da comissão, uma vez que, segundo Jailzon Santos, representante do MST, o maquinário utilizado na  invasão pertence  à prefeitura de Juazeiro e que a ordem para essa invasão não partiu da Secretaria de Segurança Pública do Estado. “Este acontecimento tem que ser  muito bem investigado”, salientou o deputado Capitão Tadeu (PSB), informando que  a ordem ou  partiu do Secretário de Segurança, ou houve indisciplina, já que ações deste porte só são autorizadas por instância superiores.

AMEAÇA  

“Estamos sendo ameaçados de morte; lá na região o coronelismo ainda impera”, assim declarou Fulgêncio Cardoso, da direção estadual do MST do Baixo Sul.. Segundo Fulgêncio, em uma reunião com representantes da Casa Militar, Ouvidoria, do proprietário do terreno ocupado e membros do assentamento Euclides Neto ficou acordado que eles teriam um prazo de nove meses para permanecerem no local, até que a prefeitura vistoriasse uma outra  área. 
 Segundo Oséas Marques, da direção regional-setor juventude, este acordo foi descumprido pelo proprietário, que entrou na justiça e teve direito a reintegração de posse. “Cumprimos a reintegração e fomos deslocados para outras terras, mas o proprietário, temeroso de uma nova ocupação, passou a ameaçar a todos”, frisou, informando que o “companheiro Carlos Guarda” está trancado em casa com sua família.
 Diante desses relatos, o colegiado aprovou a realização de uma audiência pública para discutir a violência no campo e solicitou que sejam enviados oficios à Secretária de Segurança Pública do Estado, solicitando proteção de vida para membros da duas localidades. Além dessas medidas, a comissão agendou uma visita à comunidade de Casa Nova para a próxima quinta-feira, dia 27 e encaminhou ofício ao governador, solicitando providências que garantam a integridade física da comunidade de Casa Nova.

REAJUSTE

“Não estou prevendo uma situação muito boa para a segurança na Bahia”, afirmou Capitão Tadeu. Segundo ele, o ânimo das polícias está exaltado e o governo não abre diálogo para discutir o reajuste salarial. A situação ficou ainda mais tensa, segundo Tadeu, depois da declaração do secretário estadual de Administração, Manoel Vitório, que afirmou que governo não está preocupado com greves. “Declarações como esta provocam os servidores e quem sai mais prejudica é a população”, salientou, lembrando a greve da PM em 2001. Na próxima quarta-feira, 26, a comissão promoverá uma audiência pública para discutir o ajuste salarial da categoria.



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