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Emoção na AL: o gringo agora é cidadão baiano

Publicado em: 10/03/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

O artista plástico Frans Krajcberg não esconde a alegria ao receber o título de Cidadão Baiano, 36 anos depois de pisar no solo da Bahia
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O artista polonês Frans Krajcberg destacou em seu discurso a "ampla alegria" de estar recebendo o título de cidadão baiano. "Eu sou naturalizado brasileiro desde 1954, mas sempre fui tratado como um gringo", contou Krajcberg, arrancando risos do público. Para ilustrar, ele lembrou uma manchete dada pelo jornal Folha de S.Paulo quando, em 1995, ele participou da programação do Ano Brasil-França: "Polonês expõe em Paris". Por isso, acrescentou o artista, "é uma grande honra receber este título de cidadão baiano."
Como não poderia deixar de ser, a preservação ambiental dominou o discurso de agradecimento feito por Frans Krajcberg. Ele, que desde 1972 vive em Nova Viçosa, destacou que o Sul da Bahia possuía a floresta mais "linda e rica" do planeta. "Diversas publicações internacionais comprovam isso", acrescentou, lamentando o estado de degradação do bioma que, no passado, era rico em pau-brasil – espécie que acabou batizando o país.
Apesar de sua atuação destacada na defesa da Mata Atlântica, Krajcberg manifestou grande preocupação durante o seu discurso com o futuro da Amazônia – "última reserva de floresta tropical do país". Segundo ele, todas as serrarias que funcionavam no Sul baiano hoje estão na Amazônia. "E, como se sabe, serrarias não ficam só admirando a floresta."
Krajcberg salientou, no entanto, que o mundo, "sobretudo a Europa", está acordando para a situação da Amazônia. "Precisamos desta reserva de oxigênio para o planeta", disse ele, que participou de um encontro, na França, para discutir os problemas ambientais da região". Para o artista plástico, os brasileiros estão "demasiadamente passivos em deixar destruir este país."
O novo cidadão baiano lembrou ainda de uma cena que viu na Amazônia e o marcou para toda a vida. Nas palavras dele: "Eu segui uma nuvem de urubus, quando me deparei com seis índios pendurados numa árvore. Fechei os olhos para tirar a foto". Krajcberg conta que nem na Segunda Grande Guerra Mundial, onde lutou durante quatro anos, viu atrocidade igual.
Por conta da foto, recebeu uma advertência dos militares que, à época, estavam no poder, para nunca mostrar ou falar sobre aquela foto. "Quando chegou a democracia, eu comecei a falar sobre a foto". Ele contou ainda que viu muitas outras cenas bárbaras na Amazônia.
Os Estados Unidos – único país a se recusar a assinar o Tratado de Kioto, para reduzir a emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa e o conseqüente aumento de temperatura da Terra – também foram bastante criticados pelo ambientalista. Para ele, os americanos só começaram a flexibilizar sua posição sobre o meio ambiente após a repercussão do filme Uma verdade inconveniente, do ex-vice presidente dos EUA, Al Gore – que acabou rendendo a ele o Nobel da paz. "O problema é que até hoje os americanos continuam dando as ordens."



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