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''Após 36 anos, a Bahia o reconhece''

Publicado em: 10/03/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Krajcberg é recebido por Waldenor, Marcelo Nilo e pelo governador Wagner na Assembléia
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A saudação ao novo cidadão baiano Frans Krajcberg foi feita pelo líder da maioria na Assembléia Legislativa, Waldenor Pereira (PT), a pedido do governador Jaques Wagner. O petista começou seu pronunciamento falando do orgulho que sentia por estar participando daquele momento e lembrou que conheceu a obra do homenageado há pouco mais de uma década. "Passei a admirá-lo a partir de 1997, quando fui presenteado pelo cineasta Walter Sales com o vídeo documentário "Krajcberg, o Poeta dos Vestígios", relata, acrescentando que tal contato com o cineasta ocorreu por ocasião de parte das filmagens de Central do Brasil, em Vitória da Conquista, quando o parlamentar era reitor da Universidade Estadual do Sudoeste e apoiou a produção do premiado filme nacional.
Logo em seguida, o líder fez um breve relato sobre a trajetória do artista Frans Krajcberg, lembrando que ele nasceu na Polônia em 1921 e se naturalizou brasileiro pouco mais de três décadas depois, em 1954. Além disso, Waldenor informa que Frans Krajcberg estudou engenharia e artes na Universidade de Leningrado, foi combatente do Exército Soviético na 2ª Guerra e estudou, entre 1945 e 1947, na Academia de Belas Artes de Stuttgart.
"Tendo perdido a família na 2ª Guerra, assassinada em campos de concentração, emigrou em 1948 para o Brasil, trazendo seus estudos e um talento que nunca o abandonou, fixando-se inicialmente em São Paulo, onde exerceu ofícios humildes, como os de pedreiro e faxineiro, antes de se tornar ajudante de montagem da I Bienal de São Paulo, em 1951", relata o deputado, acrescentando que até 1952 permaneceu em São Paulo, realizando sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna.
As andanças de Krajcberg pelo interior do Brasil também foram destacadas pelo orador. "No Paraná e em Minas Gerais, ele se aproximou da natureza e, pouco a pouco, vai tirando dela o sentido de seu trabalho". Waldenor destaca ainda que, em 1957, o artista conquistou o prêmio de Melhor Pintor Nacional na IV Bienal de São Paulo e ganhou crescente importância internacional. "De 1958 a 1964, viveu entre as cidades de Paris, Ibiza e Rio de Janeiro, onde produziu os seus primeiros trabalhos, fruto do contato direto com a natureza".
O contato com a natureza, aliás, marcou toda a trajetória de Frans Krajcberg, conforme destaca Waldenor Pereira, lembrando que na década de 1960 ele chegou a morar em uma caverna no Pico da Cata Branca, região de Itabirito, no interior de Minas Gerais. "Lá, ele era conhecido como o "Barbudo das Pedras" porque vivia solitário, sem conforto, tomando banho no rio vizinho, enquanto produzia, incessantemente, gravuras e esculturas em pedras".

BAHIA

Depois de ganhar projeção internacional com as esculturas de madeira calcinada, refletindo a paisagem brasileira e a preocupação com o meio-ambiente, Krajcberg chega à Bahia, onde está radicado desde 1972. "Aqui ele mantém o seu ateliê no sítio Natura, no município de Nova Viçosa, onde chegou a convite do amigo e arquiteto Zanine Caldas, que o ajudou a construir a habitação: uma casa a sete metros do chão, no alto de um tronco de pequi de 2,60 metros de diâmetro. Depois de 36 anos, esse notável pintor, escultor, fotógrafo e gravador é reconhecido pelas autoridades governamentais da Bahia", afirmou Waldenor Pereira.



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