Depois de viver 36 anos na Bahia, nesta sexta-feira, às 11h12, o pintor, escultor, gravador, fotógrafo e ativista ecológico Frans Krajcberg tornou-se Cidadão Baiano. Polonês de nascimento, brasileiro naturalizado desde 1954, ele recebeu a placa que registra a homenagem dos representantes do povo baiano das mãos do presidente da Assembléia, Marcelo Nilo, do líder Waldenor Cardoso e do governador Jaques Wagner, em sessão solene do Legislativo.
O chefe do Executivo anunciou, antes do encerramento dos trabalhos, a decisão estatal de preservar o santuário ecológico onde ele vive, o Sítio Natura, em Nova Viçosa, e concluir a implantação do Museu Krajcberg – garantir a guarda de todo o seu patrimônio artístico. Fez questão de assumir este compromisso perante a Assembléia Legislativa, como um "outro presente para este baiano que está orgulhoso com a cidadania agora conquistada de fato e de direito."
VILLA-LOBOS
Foi uma sessão emocionante. Frans Krajcberg foi recebido no plenário (repleto) sob aplausos com os presentes de pé, ao som da Bachiana no 5, entoada pela soprano Ana Paulo Barreiros. Estava acompanhado do governador Jaques Wagner e dos deputados Zé Neto (PT), Elmar Nascimento (PR), Álvaro Gomes (PCdoB), Paulo Câmera (PTB), Gilberto Brito (PR) e João Bonfim (DEM), que integram comissão especialmente constituída pela presidência dos trabalhos para acompanhá-los.
O primeiro a discursar foi o líder da bancada situacionista Waldenor Cardoso, autor do projeto de resolução 1.450, de agosto de 2007 – aprovado por unanimidade – que conferiu a Cidadania Baiana a este "cidadão do mundo", como o tratou no discurso de saudação o líder da bancada governista da Casa. Ele traçou um rápido perfil da multifacetada vida de Frans Krajcberg, que estudou em Stalingrado, na Rússia, e Stuttgart, na Alemanha, e residiu em cidades como Paris, Ibiza e Rio de Janeiro.
Polonês de nascimento, informou Waldenor, ele teve a família exterminada na Segunda Guerra Mundial pelo nazismo, lutando contra o Eixo, até emigrar para o Brasil para fugir da pobreza da Europa no pós-guerra. O líder do governo listou ainda trabalhos e prêmios ganhos pelo artista e a sua postura militante, quando o ambientalismo e a ecologia ainda eram encarados como coisa de visionários.
Na entrega da placa que registra a homenagem, Kracjberg vibrou, erguendo-a e a exibindo repetidamente para as autoridades, artistas, ecologistas, parlamentares e amigos que lotaram o plenário. Ele agradeceu da Mesa de Honra dos trabalhos e manifestou a sua alegria pela honraria numa fala entremeada da citação de episódios que viveu em sua longa militância ecológica.
Emocionou-se diversas vezes e lamentou que, até agora, depois de viver no Brasil desde 1948, sendo naturalizado desde 1954, que a imprensa ainda o trate como "o polonês" ao falar de seu trabalho. Com uma simplicidade que impressionou aos presentes, Kracjberg não fez qualquer auto-louvação em relação à sua obra e criticou com severidade a postura do governo norte-americano de ignorar as mudanças climáticas e as conseqüências do desequilíbrio ecológico. Defendeu a Amazônia e lamentou a velocidade com que a Mata Atlântica – a mais rica de todo o planeta – foi dizimada.
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