"Política mais feminina"
Na moção de congratulações apresentada para lembrar a passagem do Dia Internacional da Mulher, a deputada Ângela Sousa (PSC) destacou que a Bahia está acima da média nacional, no que se refere à presença da mulher nos colegiados políticos e prefeituras, mas lembrou que as mulheres ainda enfrentam dificuldades para alcançar representatividade no mercado e na política. ‘’A situação atual indica que, no Brasil, a mulher ainda precisa aumentar a sua presença na esfera política’’, disse.
De acordo com dados divulgados pela União Interparlamentar (UIP), a média de mulheres no Congresso Nacional ou nos postos de ministro no Brasil está abaixo das médias latino-americana e mundial. ‘’É inferior, inclusive, aos índices de países árabes’’, sublinhou a parlamentar. De acordo com a deputada, entre os 156 países avaliados pela entidade, o Brasil ocupa apenas a 108ª posição no que se refere ao número de mulheres na Câmara dos Deputados.
A parlamentar destaca a participação feminina na Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, ‘’onde oito mulheres de fibra têm desempenhado papel dos mais relevantes na defesa do povo baiano’’. Ângela Sousa lembra também o papel de cada uma das mulheres que trabalham na Assembléia Legislativa, em assessorias e serviços de apoio. ‘’Elas demonstram no dia-a-dia que não somente conquistaram o seu espaço, como também estão prontas para enfrentar toda e qualquer barreira’’, disse.
"Ternura e intuição"
A deputado Maria Luiza (PMDB) também se associou às comemorações pela passagem do Dia Internacional da Mulher, que será celebrado no próximo dia 8. Na moção de aplausos que apresentou na Assembléia Legislativa, a peemedebista faz um histórico da evolução da luta feminina, destacando que a referência principal das origens é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em 1910, em Copenhague, Dinamarca.
"Na ocasião, Clara Zetkin propôs uma resolução de instaurar oficialmente um dia internacional das mulheres, partindo daí as comemorações a ter um caráter internacional, expandindo-se pela Europa", destaca a deputada, acrescentando que em 1921 são encontrados também registros da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, "onde uma camarada búlgara propõe o 8 de março como data oficial, lembrando a iniciativa das mulheres russas". A partir do ano seguinte o dia passou a ser celebrado oficialmente nesta data.
Logo após o levantamento histórico, a deputada afirma que "a mulher está destinada a levar à família, à sociedade civil, à igreja, algo de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: sua delicada ternura, generosidade incansável, seu amor pelo concreto, sua capacidade de intuição, sua piedade profunda e simples".
"Provedora dos lares"
A passagem do Dia Internacional da Mulher foi lembrada na Assembléia Legislativa em moção apresentada pelo deputado Eliedson Ferreira (DEM). O parlamentar utilizou como exemplo de força da mulher o fato de que quase a metade dos lares brasileiros, principalmente os nordestinos, são providos por elas. Ferreira ressalta que a população estudantil, com raras exceções, é de maioria feminina.
O parlamentar lembra que, por mais forte que seja o homem, ele não tem o poder de uma mulher, e precisou do ventre de uma delas para ser gerado, nascer e crescer. ‘’No entanto, vemos em muitas ocasiões o mundo se esquecer de tudo isso, e tornar-se necessário criar legislação, como a Lei Maria da Penha, para regulamentar uma conduta que deveria ser natural e incontestável – ser crime agredir, maltratar e espancar a mulher’’, disse.
Eliedson Ferreira destaca que a realidade mostra que a mulher vem ocupando mais seu espaço. ‘’Sem perder a sensibilidade, a ternura e a graça que lhe são peculiares, hoje a mulher não apenas se ocupa dos afazeres domésticos e da família, como ainda, com muita propriedade, exerce outras funções sociais importantes’’, disse, lembrando que é notória entre os empresários da construção civil, a opção pela mão de obra feminina, pela dedicação e capricho nos acabamentos.
"Luta pela liberdade"
A importância social das mulheres foi ressaltada na moção de congratulações e aplausos apresentada pelo deputado Carlos Ubaldino (PSC) em homenagem à passagem do Dia Internacional da Mulher. "A manifestação desta Casa se justifica, levando-se em consideração que, ao aplaudirmos esta data, não o fazemos como mera representatividade legislativa", disse.
O deputado lembrou dos trágicos eventos que deram origem à data comemorativa. "No dia 8 de março de 1857, 130 tecelãs deram suas vidas de forma cruel, quando foram trancadas e carbonizadas dentro de uma fábrica", relatou. Naquele momento, as mulheres exigiam melhorias salariais, já que trabalhavam 16 horas e seus salários nunca se equiparavam aos dos homens. Apesar de executarem a mesma atividade, os rendimentos femininos eram até 1/3 menos que os masculinos.
Cinquenta e três anos depois, numa conferência na Dinamarca, decidiu-se que o 8 de março definitivamente seria o Dia Internacional da Mulher. Mas a oficialização da data só se deu em 1975, pela Organização das Nações Unidas (ONU), decorridos 118 anos depois do fato. "Muitos desconhecem que a repressão contra as mulheres não teve embrião no dia 24 de fevereiro de 1932, quando finalmente se instituiu no Brasil o voto feminino", ressaltou o parlamentar.
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