Sessão especial, ontem, na AL foi requerida por Álvaro Gomes
Os 55 anos de fundação do Banco do Nordeste (BNB) foram saudados, ontem, na Assembléia Legislativa com a realização de uma sessão especial requerida pelo deputado Álvaro Gomes (PC do B). O evento contou com a presença da cúpula do banco, de funcionários, ex-funcionários e deputados. Na abertura da sessão, logo após compor a mesa dos trabalhos, Álvaro ocupou a tribuna para contar a história do BNB, cujo idealizador e primeiro presidente foi o baiano Rômulo Almeida.
Ele também lançou mão de números para demonstrar a evolução da participação do BNB no desenvolvimento baiano. Em 2002, por exemplo, o banco investiu R$97 milhões na Bahia e R$264 milhões no Nordeste. Este ano, até agora, já foram aplicados R$1,18 bilhão no estado e R$4,5 bilhões na região.
O superintendente do BNB, Nilo Meira Filho, contou que o banco atende a cerca de dois mil municípios, abrangendo os nove estados do Nordeste, mais o norte do Espírito Santo, de Minas Gerais e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri. Maior instituição da América do Sul para desenvolvimento regional, operacionaliza programas como o Pronaf, o FNE e o Prodetur. O dirigente avaliou que a instituição consolidou no ano passado o crescimento das operações de financiamentos e empréstimos iniciadas em 2003, ao contratar operações globais da ordem de R$7,3 bilhões.
PRESTÍGIO
Apesar da sessão de quarta-feira, que avançou até os primeiros minutos de ontem, um bom número de parlamentares compareceu para prestigiar o banco. O deputado Gilberto Brito (PR) lançou mão da poesia sobre o mandacaru de sua autoria para fazer um paralelo com a importância da instituição para o sertanejo. Ele contou que ficou emocionado com o pronunciamento – emanado do coração – de Aristeu Almeida, ex-deputado e diretor do Instituto Rômulo Almeida.
Aristeu, funcionário aposentado mais antigo ainda vivo, havia feito um histórico desde a fundação, quando ele foi transferido para Fortaleza, onde fica a sede do BNB, para atuar como funcionário. "Começou em uma casa alugada; o importante era botar para funcionar", conta, destacando que, se Rômulo Almeida fosse vivo, estaria satisfeito com o programa de microcrédito do banco. "Esta era a vocação desde o início, chegamos a financiar pescadores na época, mas eles não corresponderam", ao contrário do sucesso que se vem obtendo hoje com os pequenos produtores.
Quem também remontou às origens foi o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB). "Sentimos falta de pensadores como Celso Furtado e Rômulo Almeida", definiu, fazendo uma reflexão que, sob o governo de Getúlio Vargas, no início da década de 1950, o Brasil empreendeu não só o BNB, mas a Petrobras, o BNDS (hoje BNDES) e a Sudene. "Era um momento em que o Brasil apostava no futuro", avaliou, considerando que o país deve retomar essa postura, pois "as desigualdades regionais são profundas e nos incomodam".
O diretor de negócios do banco, Paulo Ferraro, destacou a presença da instituição como grande investidora da agricultura familiar e acenou com a possibilidade de parcerias com o BNDES que permitam um volume maior de recursos para a região. O BNB já foi responsável por 30% da carteira do banco de desenvolvimento nacional e hoje não passa de 8%, mas, segundo Ferraro, os novos aportes que se vêm registrando são graças à determinação do presidente Lula.
Na linha de revelar as ações da União para o desenvolvimento regional e do incentivo aos pequenos negócios, o deputado Bira Coroa (PT) também ocupou a tribuna e elogiou a atuação do banco. Ele destacou que ações como as que vêm sendo implementadas pelo BNB associadas a outras correlatas são fundamentais para quebrar as desigualdades existentes no país.
O deputado Jurandy Oliveira (PDT), por sua vez, lembrou a época em que deixou o serviço militar e voltou para sua terra natal, Ipirá: "O BNB acreditou e me deu condições de produzir em uma terra que é difícil de produzir". Ele explicou que a instituição não dá esmola, mas aposta no homem que produz e é capaz de vencer as dificuldades. Na mesma linha falou o deputado Aderbal Caldas (PP). Para ele, não fosse a ação do banco, a população sertaneja seria 20% menor. "Seríamos sertanejos de arribação", definiu.
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