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80 anos do Colégio 2 de Julho

Publicado em: 26/10/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Marcelo Nilo preside a mesa da sessão especial que homenageou os 80 anos do 2 de Julho
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Sessão, proposta por ex-alunos deputados, foi emocionante
Em sessão especial, a Assembléia Legislativa associou-se às comemorações pela passagem dos 80 anos de fundação do Colégio e Faculdade 2 de Julho, instituição de ensino que teve como precursores o pastor Peter Garret Baker e sua esposa Irene Hight Baker. O evento de ontem na AL foi proposto pelo presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público, Zilton Rocha (PT) e subscrita por Roberto Muniz (PP), Paulo Azi (DEM) e Virgínia Hagge (PMDB), ex-alunos da entidade. O petista, aliás, informou que o requerimento para a realização desta sessão foi um dos que ele fez "com maior satisfação".
"Acho que qualquer instituição que atravessa oito décadas é, necessariamente, porque tem mérito, cumpriu um papel social, cultural e educacional importante. Mas acho que cada instituição que cumprir oito décadas tem suas peculiaridades", destacou logo no início de seu pronunciamento, informando que passou a conviver com o 2 de Julho ainda em 1979, mesmo ano em que chegou à capital baiana. "O tempo necessário para o professor em sala de aula é de 30 anos, mas eu ultrapassei este período porque o 2 de Julho tem características que marcam a história recente brasileira diferentes da maioria das instituições", destacou o parlamentar.
Zilton Rocha lembrou ainda que o ano em que começou a trabalhar no 2 de Julho foi o mesmo em que foi assinada a Lei da Anistia e o país reforçou a luta pela redemocratização. "Em 1979, o reverendo Celso Dourado abriu as portas do colégio para as comemorações do 1º de maio". Este sentido de participação cidadã também ocorreu na Campanha das Diretas Já!, conforme acrescentou o deputado.
"Portanto, nós não estamos fazendo um favor, não estamos aqui aproveitando para tecer loas a uma instituição de ensino. Nós estamos é tendo o privilégio de receber no plenário desta Casa uma instituição que tem marcas profundas e positivas na vida social, na educação e na política da Bahia", elogiou o petista, sendo bastante aplaudido.

MISSÃO

Logo em seguida, o reverendo Josué Melo falou sobre a missão da instituição de ensino. "A nossa preocupação nunca foi apenas de desenvolver uma educação, mas também uma preocupação com a ética, a democracia e a cidadania", disse, garantindo que o 2 de Julho sempre teve uma visão libertária e um "inquebrantável" compromisso com a Bahia. "Inclusive escolhemos a data magna do estado como uma forma de homenagem". Ele relatou que nas décadas de 1940 e 1950, só o 2 de Julho teve a coragem e ousadia de abrigar mulheres junto com os homens no internato. "Que Deus nos ajude a continuarmos fiéis à herança que recebemos dos reformistas Lutero e Calvino, que se preocupavam mais com a construção de escolas do que de templos".
O testemunho do deputado Roberto Muniz foi nesta mesma linha. "Tivemos a oportunidade de estudar em uma escola numa época em que a educação era uma vocação, não um negócio", disse, fazendo questão de elogiar a postura do reverendo Celso Dourado: "Sempre foi uma figura afável, que buscava dirimir os conflitos".
Em um depoimento marcado por um misto de emoção e descontração, o parlamentar afirmou que sempre teve "orgulho de vestir a farda do 2 de Julho. As grandes amizades que fiz na vida foram construídas lá", afirmou, acrescentando que a maior contribuição que a escola lhe deu foi o incentivo à paixão. "Paixão pela arte, pela história e pela língua. Vocês sempre ajudaram a construir cidadãos".

CORAL

Além dos oradores acima, também falaram o elogiado Celso Dourado, que salientou que a principal herança da escola é o respeito às diferenças; o ex-deputado Ewerton Almeida, o presidente do Conselho de Curadores, Moisés Dominguez, e a aluna do 3º ano, Renata Dias, entre outros. No intervalo dos discursos, a música dava o tom, tanto com o coral da escola, como com o professor de História, compositor e cantor Fábio Paes.



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