Previsão do relator é apresentar conclusões até fim de novembro
A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades na Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) entrou na reta final dos trabalhos. Em reunião administrativa, realizada ontem, os integrantes da CPI decidiram que vão realizar mais duas sessões para tomar depoimentos. Na próxima quarta-feira, serão ouvidos o publicitário Fernando Barros, presidente da Propeg, e o jornalista João Paulo Costa, ex-diretor da Agência de Comunicação do Governo (Agecom). Na quarta da outra semana (dia 7 de novembro), voltarão a ser ouvidos o ex-presidente da Ebal, Omar Brito, o ex-gerente do setor de engenharia, Leôncio Cardoso, e o empreiteiro José Gomes, da Comasa Engenharia Ltda.
A previsão do relator, deputado Zé Neto (PT), é apresentar o seu relatório até o final de novembro. Os trabalhos da CPI foram prorrogados até 20 de dezembro, mas os deputados chegaram a um consenso de que será necessário um tempo para analisar o relatório e só depois votar no colegiado. Zé Neto anunciou inclusive que no dia 7 de novembro, após os últimos depoimentos, anunciará o dia exato para apresentar o seu parecer.
A convocação de Fernando Barros já tinha sido decidida há algum tempo pelos integrantes da CPI. Ele será ouvido na condição de indiciado para explicar os valores gastos pela Ebal com publicidade na gestão passada. Já o ex-diretor da Agecom, João Paulo Costa, será ouvido na condição de testemunha. Ele foi convocado para esclarecer as dúvidas dos integrantes da comissão sobre a forma pela qual se realizavam os contratos publicitários de órgãos do governo na gestão do governador Paulo Souto.
RETORNO
Os depoentes da última oitiva já passaram pela CPI da Ebal. Omar Brito e Leôncio Cardoso foram os primeiros a ser ouvidos pelos integrantes do colegiado, mas voltam a depor por conta dos indícios de irregularidades que surgiram com a quebra de seus sigilos bancários e com o último depoimento dado pelo empreiteiro José Gomes. Os deputados constataram, por exemplo, um depósito de R$32 mil feito por Gomes na conta do ex-gerente do setor de engenharia da Ebal. Em seu depoimento, o empreiteiro alegou que o valor se referia a uma compra de carro.
"Leôncio Cardoso terá que trazer documentos que comprovem de fato a venda do veículo, além de explicar o fato de ter dito aqui na CPI que não tinha qualquer relação com o sr. José Gomes", observou o presidente da CPI, deputado Arthur Maia, lembrando que todas as obras feitas pela Comasa Engenharia foram contratadas com dispensa de licitação.
Já o ex-presidente da Ebal terá de explicar aos integrantes da CPI a razão de sua fazenda, localizada no município de Aiquara, ter sido alugada como pasto por José Gomes. Os integrantes do colegiado também consideraram essa uma relação indevida entre o dirigente da Ebal e o dono da empresa contratada para realização das obras em unidades da empresa. Para evitar que nenhuma dúvida persista após essa última oitiva, os deputados decidiram convocar também José Gomes para que ele reafirme suas declarações. Por isso, esse último depoimento pode ser transformado numa acareação entre os três depoentes.
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