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Amo a todos do meu pastoreio

Publicado em: 19/10/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

D. Geraldo, acompanhado de parlamentares, é aplaudido ao ingressar no plenário da AL
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O cardeal dom Geraldo Majella Agnelo utilizou a tribuna da Assembléia Legislativa por pouco mais de 13 minutos para agradecer a concessão da Comenda Luís Eduardo Magalhães. "Agradeço, reconhecido, a delicadeza da iniciativa do deputado Clóvis Ferraz", disse, logo após saudar a mesa que dirigia os trabalhos.
O religioso aproveitou, no entanto, a ocasião para externar sua preocupação com o exercício da política e às palavras de gratidão acrescentou um desabafo: "Parece cada vez mais desafiador dar testemunho da verdade e da justiça, diante dos que zombam da referência permanente com a ética e a moral", disse, referindo-se à "convulsão que desequilibra o exercício dos mandatos políticos".

DEDICAÇÃO

Em seu pronunciamento, o cardeal-arcebispo se disse envaidecido e devedor dos deputados antes mesmo da tarde de ontem, por lhe terem concedido o título honorário de cidadão baiano, em novembro de 2001. "Ter-me consagrado ao ministério sacerdotal há 50 anos, dos quais 29 como bispo, me fez amar com ardor a todos que o senhor Jesus me reservou para meu pastoreio", disse.
Ele contou que, desde a primeira hora, compreendeu que devia se identificar com o povo a ele confiado. Em troca, recebeu acolhimento, amizade e solidariedade pelos lugares onde passou. "A Bahia não ficou atrás em demonstrações de afeto por minha pessoa", disse, avaliando seu trabalho desenvolvido no estado, desde quando assumiu a Arquidiocese de Salvador, em março de 1999.

BEM-AVENTURANÇAS

Ao se referir à política, dom Geraldo Majella recitou "As bem-aventuranças do político", de autoria do cardeal François-Xavier Nguyen Van Thuán, um amigo "que morreu com a força de um mártir da fé". O texto foi lido a título de aconselhamento àqueles que "têm o compromisso de promover o bem comum para todos, sem exceção, para que vivam em paz na fraternidade".
As bem-aventuranças estão subdivididas em oito tópicos. Nos dois primeiros, é destacado que o político deve ter elevado conhecimento e profunda consciência de seu papel, transmitindo credibilidade à sociedade. "Os escândalos no mundo da política, ligados sobretudo ao elevado custo das eleições, se multiplicam", recitou, pedindo "reforma e purificação para reabilitar a figura do político".
As palavras do cardeal Van Thuán traçam como norma de conduta do homem público o trabalho pelo bem comum e não pelo próprio interesse e a coerência constante entre a fé e a vida, entre as palavras e as ações, fazendo de Jesus seu ponto de partida. "Bem-aventurado o político que sabe escutar, que sabe escutar o povo antes, durante e depois das eleições; que sabe escutar a própria consciência."
O oitavo tópico recitado por dom Geraldo diz que o político não deve ter medo, antes de tudo, da verdade. "A verdade não precisa de votos!", exclamou, especificando que o homem público não deve ter medo dos meios de comunicação, pois, no momento do juízo final, ele terá que responder a Deus e não aos homens.



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