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Contradições na CPI da Ebal

Publicado em: 18/10/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Contradições e ?inverdades? na reunião da CPI da Ebal, ontem, na Assembléia Legislativa
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MP terá documentos para abrir inquéritos contra quatro pessoas
A CPI da Ebal vai encaminhar ao Ministério Público toda a documentação necessária para que sejam abertos inquéritos contra os quatro depoentes que participaram de acareações na sessão de ontem: o prefeito de Aiquara, Jutahy Souza Cosme, o microempresário Cosme Bispo dos Santos, o contador Ednaldo Casaes e José Gomes, representante da Comasa. Esse último já teve seu pedido de prisão preventiva encaminhado ao MP desde o último dia 4. A decisão de ontem foi tomada depois que os integrantes firmaram a convicção de que os referidos praticaram falso testemunho. No caso do representante da Comasa, os deputados já haviam detectado evidências suficientes de que ela praticara fraudes.
Desde o dia 20 de março, quando foi instalada para apurar possíveis irregularidades nas gestões anteriores da Ebal, nunca os integrantes da CPI haviam presenciado tantos depoimentos desencontrados e sem qualquer consistência. As contradições marcaram os pronunciamentos de todos os depoentes.
Os trabalhos, comandados pelo presidente Arthur Maia (PMDB), começaram com a oitiva do prefeito de Aiquara, Jutahy Souza, que fez um depoimento confuso e contraditório, especialmente em relação a datas e ao desconhecimento de José Gomes. Logo em seguida, foi a vez de Cosme dos Santos tentar justificar suas ações. Novamente, os deputados não se convenceram com as argumentações.
Em alguns momentos, o presidente Arthur Maia perdeu a paciência e enfático chamou o comerciante de mentiroso. "O senhor está faltando com a verdade e esta CPI não vai aceitar este desrespeito. O senhor pode até ser preso se continuar assim", afirmou, exaltado e batendo na mesa.

DINHEIRO

Um dos fatos novos que mais intrigaram os parlamentares foi o aparecimento de um depósito de R$ 1 mil feito por José Gomes na conta do contador Ednaldo Casaes. Esse, por sua vez, se apressou a afirmar que entregou o dinheiro a Cosme dos Santos. A partir daí, Arthur Maia inquiriu o microempresário: "O senhor afirmou na última sessão que não conhecia José Gomes. Como é que uma pessoa que o senhor não conhece deposita dinheiro para o senhor?". Cosme então foi obrigado a confessar e reconhecer que conhecia José Gomes, mas ainda tentou sair pela tangente: "Eu tinha relação com ele, mas não um conhecimento muito grande."
Como o contador também negara que tivesse algum tipo de conhecimento com José Gomes, o deputado Júnior Magalhães questionou como ele aceitou que uma pessoa desconhecida depositasse dinheiro em sua conta. Novamente, os integrantes ficaram sem uma resposta convincente.
O presidente Arthur Maia e o relator José Neto (PT) também ficaram desapontados com as informações prestadas pelo representante da Comasa, José Gomes. O principal foco de irritação dos parlamentares foi a ausência de notas fiscais para compras superiores a mais de R$ 3,5 milhões.
"O senhor há de convir que não há possibilidade de tanto material circular sem nota. Como é que o senhor, um empresário tão experimentado, apresenta uma versão tão primária?", questionou o presidente da comissão, tendo o silêncio como resposta.

MP

Além das evasivas e da troca de acusações entre os depoentes, a sessão foi marcada por uma série de questões de ordem por parte dos advogados. A todo instante, eles interferiam nos trabalhos para tentar defender seus clientes. Tal atitude levou o presidente Arthur Maia a determinar que não seriam aceitas questões de ordem sobre o mérito dos debates.
Os representantes do Ministério Público, Solon Dias da Rocha e Paulo Gomes Júnior, também participaram da acareação. Ficou definido que o MP, daqui por diante, estará representado em todas as sessões da CPI.



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