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Prisão preventiva na CPI da Ebal

Publicado em: 04/10/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Por unanimidade, a CPI da Ebal decidiu pedir ao MP a prisão de José Gomes, da Comasa
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Pedido ao MP é para o representante da Comasa, José Gomes
A CPI da Ebal, que investiga possíveis irregularidades cometidas na gestão anterior da Cesta do Povo, decidiu ontem solicitar ao Ministério Público a prisão preventiva de José Gomes, representante da Comasa, empresa que prestava serviços à Ebal. O requerimento, apresentando pelo relator Zé Neto (PT), foi aprovado à unanimidade porque os integrantes do colegiado se convenceram de que existiam evidências suficientes de fraudes praticadas pelo empresário.
A convicção dos parlamentares começou a se formar há algum tempo e se fortaleceu depois do depoimento prestado à CPI no dia 26 de setembro pelo microempresário Cosme Bispo dos Santos. Nesta data, este negou que tenha trabalhado para a Ebal e garantiu que as notas da ordem de R$ 3.681.543,26 apresentadas por José Gomes não foram repassadas por sua empresa. Além disso, na semana anterior, o comerciante Hugenberg Alves Passos já havia confessado que repassou notas frias para José Gomes.
Diante deste quadro, o presidente do colegiado convocou José Gomes e Cosme Bispo para uma acareação. Porém, na sessão o que se viu foi uma bateria de graves acusações contra José Gomes. "Estamos diante de notas fiscais comprovadamente falsas. Tenho absoluta convicção de que a empresa de Cosme Bispo não tinha condições de efetuar tais vendas. Estamos diante de um quadro que já superou todos os limites. O que confirmamos aqui é que houve uma fraude perpetrada contra o erário e não vamos mais tolerar tal quadro", decretou o presidente do colegiado, Arthur Maia (PMDB).
O representante da Comasa, José Gomes, ouvia tudo impassível e negava todas as acusações. "Eu tenho como provar que as obras foram realizadas e quero registrar que nunca falsifiquei notas, pois tenho 29 anos no mercado e nunca comprei nenhuma nota". Ele destacou que pagava o material em dinheiro "porque no interior não se aceita mais cheque". Mais uma vez foi interrompido e contestado pelos parlamentares.
Por sua vez, o outro depoente, Cosme Bispo, apenas reafirmava que nunca teve nenhum tipo de negócio com a Ebal e que sua empresa era muito pequena, futurando algo em torno de R$ 3 mil mensais. Outros dados sobre movimentação financeira foram esclarecidas pelo contador que lhe prestava serviço, Carlos Casaes.

AXXO

Antes da acareação, os integrantes do colegiado ouviram o depoimento de Arnaldo Gusmão, representante da construtora AXXO, empresa que foi uma das responsáveis pela reforma do prédio da Nossa Sopa. Entre os anos de 2002 e 2004, a AXXO recebeu cerca de R$ 3,7 milhões, sendo que o valor inicial foi de R$ 2,9 milhões.
Arnaldo Gusmão apresentou uma série de documentos acerca da realização da obra e aplicação dos recursos, que serão posteriormente analisados pela CPI. Ele ainda alegou a legalidade dos aditivos e a supressão de alguns itens no contrato com a Sucab.



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