O Dia Mundial do Turismo, ocorrido ontem, foi comemorado na Assembléia Legislativa com a realização de uma sessão especial proposta pela Comissão de Infra-estrutura e Turismo. O evento reuniu o chefe de gabinete do Governo, Fernando Schmidt; o secretário do Turismo, Domingos Leonelli; os presidentes da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo (PSDB); da comissão, Júnior Magalhães (DEM), da Bahiatursa, Emília Silva; e da Abav-BA, Pedro Corrêa.
"Resolvemos que seria o momento mais adequado para que o secretário de Turismo, o nosso amigo Domingos Leonelli, pudesse apresentar quais os planos do governo Wagner para o desenvolvimento do setor no estado", definiu Júnior ao abrir a sessão, na presidência dos trabalhos. Ele revelou sua intenção de ouvir muito "e ao longo do tempo ir acompanhando e ajudando a Secretaria a viabilizar seus programas e projetos que levem ao desenvolvimento de uma indústria que cresce e que é responsável hoje por milhares de empregos na Bahia". Antes de passar a palavra, ele revelou preocupação especial com as grandes dificuldades enfrentadas pela Ilha de Itaparica e elogiou o desenvolvimento do setor no Litoral Norte.
Leonelli realizou o penúltimo pronunciamento da tarde e disse que "é hora da Bahia discutir profundamente o seu modelo de desenvolvimento turístico". Ele e Schmidt acataram a provocação de um dos oradores, o professor Ernesto Ribeiro, da Factur. Ele havia ocupado a tribuna momentos antes para defender a tese de que o "turismo precisa ser o negócio dos baianos". Neste sentido, atacou a política de fomentar a instalação de resorts no Litoral Norte, que, segundo ele, "quase não necessitam fazer trocas locais e mesmo se quisessem também não conseguiriam, pois as comunidades não têm desenvolvimento para atender ao nível da demanda".
PRIVATIZAR
O secretário considerou oportuno o debate. Para ele, no entanto, os resorts não são necessariamente danosos e são uma solução contra o negócio imobiliário da segunda habitação, de turismo. Essa prática, segundo ele, trouxe prejuízos à Ilha de Itaparica e levou à falência a costa espanhola. "Se 600 grupos comprarem 2 km de praia cada, privatizam todo o litoral baiano", calculou, ao comparar que um empresário comprou 14 km em Baixios.
Para o dirigente, faltam dados para mensurar o negócio turístico. Segundo ele, o governo anterior fez levantamentos estatísticos até 2004, o que está sendo recuperado. Na falta de dados consistentes, o marketing supera a lógica, no entendimento de Leonelli. Ele citou o caso dos 800 mil turistas que haveriam visitado a Bahia durante o Carnaval. Segundo ele, nenhuma ginástica matemática seria capaz de comportar toda essa gente em um parque hoteleiro que vai pouco além dos 20 mil leitos. Contribuíram ainda para o debate Schmidt, a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho e o deputado Capitão Tadeu (PSB).
A vice-presidente da comissão, Angela Sousa (PSC), foi a primeira oradora a ocupar a tribuna para destacar a importância econômica do setor, lembrando que a atividade é responsável por 10% do PIB mundial. Ela lamentou o fato de o Brasil deter menos de 1% do fluxo total de viajantes, considerando, no entanto, "que o governo federal vem desempenhando uma boa política pública na área". Para ela, "a Bahia sempre trabalhou para ser referência nacional de modelo de desenvolvimento turístico, responsável e sustentável".
"Precisamos refletir sobre estes números e seus resultados efetivamente alcançados", ponderou Angela Sousa, frisando que o turismo "precisa ser bom para todo o povo baiano e sua luta contra a pobreza". Ela reclamou que sua região, a Costa do Cacau, tem sido esquecida pelo poder público e que 90% das obras do Prodetur II não saíram do papel. Ainda na sua fala, pediu melhorias para o aeroporto de Ilhéus e alertou para a ameaça do município perder grande parte de seus vôos diários a partir da próxima semana, com prejuízos para o fluxo de cargas e passageiros.
Durante a sessão, a Bahiatursa exibiu um vídeo de 13 minutos com um balanço da situação encontrada no turismo pelo atual governo e as medidas que estão e deverão ser tomadas. Muito do que ali se apresentou foi reforçado por Emília Silva, no pronunciamento seguinte. Em ambos os casos, revelou-se uma mudança de foco no fomento ao setor, sintetizado no Programa Viver Bahia, que visa a transformar o turismo numa "atividade indutora do desenvolvimento cultural, econômico e social da Bahia
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