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Empresário confessa emissão de notas frias para Comasa

Publicado em: 20/09/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Na AL, em depoimento à CPI da Ebal, empresário confirmou emissão de nota fiscal fria
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Depoimento foi de Hugenberg Passos na CPI que investiga Ebal
O comerciante Hugenberg Alves Passos, representante da empresa Casa das Lâmpadas, confessou na sessão de ontem da CPI da Ebal que cedeu de forma irregular duas notas fiscais para José Gomes (Comasa), no valor total de R$ 408.260. Ele relatou ainda aos integrantes do colegiado que este valor se referia a serviços prestados e peças fornecidas a José Gomes nos últimos sete anos, inclusive em trabalhos que não pertenciam à Ebal. Por conta destas irregularidades, ele informou que foi autuado pelo fisco estadual e fez um desabafo: "A corda sempre arrebenta do lado mais fraco".
Ao ouvir a confissão do depoente, o presidente da CPI, Arthur Maia (PMDB), disse que ficava "comprovado que o senhor José Gomes cometeu fraude e participava de uma quadrilha que lesava o erário. O que causa espécie é que há sete anos José Gomes nem ao menos prestava serviços à Ebal".
O relator da comissão, deputado Zé Neto (PT), também considerou o depoimento de Hugenberg Passos "bastante esclarecedor". "A sinceridade do depoente mostrou de forma clara como agiam os que lesaram a Ebal." Já para Paulo Rangel (PT), o depoente "trouxe à CPI uma prova material irrefutável".

CIMENTO

O depoimento de Hugenberg Passos foi o segundo na sessão de ontem da CPI. Antes dele, os parlamentares ouviram o empresário Amilton Fernandes Campos, sócio da empresa Nova Esperança Transporte e Comércio Ltda, que, de novembro de 2003 a março de 2006, forneceu mercadorias à Comasa, no valor de R$ 3.363,184, sendo que R$ 3.349.494 do total são referentes a 205.827 sacos de cimento.
O empresário, porém, negou que existissem quaisquer irregularidades. "Trabalho há 35 anos e não tenho nada a esconder. Nunca me interessei no que o comprador ia fazer com o cimento. Meu papel é vender. Não sou um aventureiro, sou um comerciante que tem um nome a zelar", desabafou.
Com o objetivo de dirimir as dúvidas quanto a estas negociações, o presidente Arthur Maia apresentou os seguintes requerimentos, que foram aprovados por unanimidade: que o empresário aponte os valores recebidos em espécie e em títulos de crédito (cheques, notas promissórias, duplicatas e outros) e que a Secretaria da Fazenda proceda inspeção fiscal in loco na empresa Nova Esperança para apurar possíveis irregularidades na comercialização de mercadorias com a Comasa.
Na próxima quarta-feira, às 9h, a CPI volta a se reunir para ouvir Cosme Bispo dos Santos, que forneceu materiais à Comasa no valor de R$ 3.681.543,26.



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