O radialista Armando Mariani ganhou a vida sabendo usar as palavras e ontem confiou na sua capacidade para enfrentar, como ele definiu, um dos seus momentos mais importantes: a sessão especial em que a Assembléia Legislativa lhe concedeu o título de Cidadão Baiano. Na homenagem, proposta pelo deputado Márcio Marinho, líder do PL, e aprovada por unanimidade, ele preferiu não preparar um discurso antecipadamente e deixou que a emoção falasse por si. “As palavras são frias”, explicou, confessando que tentou, mas não conseguiu conter as lágrimas.
A sessão foi bastante concorrida, com um plenário lotado, que acompanhou o agradecimento sucinto de Mariani. Ele se declarou “até hoje baiano oficiosamente e, a partir de agora, oficial e ‘arretadamente’”. Disse que quando chegou à Bahia, “era matéria bruta – tudo que aprendi foi aqui”, confessou, contando que foi também nesta terra onde fez seus amigos, muitos dos quais presentes na cerimônia, a exemplo de Zezinho da Ribeira, um dos que fez questão de nominar, entre os muitos que ali se fizeram presentes.
TALENTO
A respeito do aprendizado, ele parece ter sido modesto. Afinal, mineiro de Monte Carmelo, Mariani se iniciou ainda jovem, quase um menino, no radialismo, na Rádio Cultura de sua cidade natal. Mostrou talento, se destacou e seguiu para Belo Horizonte, onde foi disputar espaço nas ondas moduladas. De lá, foi convocado pela TV Itapoan, em 1969, para reforçar o quadro do jornalismo esportivo e, logo em seguida, passou a atuar na Rádio Sociedade, “como uma das grandes contratações realizadas na época pela emissora”, como ressaltou Raimundo Rui, presidente da rádio, em um discurso especial de homenagem.
Mariani fez questão de destacar ainda o diretor geral da rádio, Veríssimo de Jesus, que, segundo ele, lhe confiou uma hora diária na programação antes de Raimundo Varela entrar no ar. Com a enfermidade deste, Mariani passou a ocupar três horas diárias na rádio, mantendo em alta a audiência. A outra presença ressaltada, como não poderia deixar de ser, foi a do proponente da sessão, que também a presidiu. “Me sinto honrado demais, principalmente partindo de uma figura como o senhor, deputado Márcio Marinho”.
O parlamentar foi o primeiro a se pronunciar na tarde de ontem, ao fazer o seu discurso de saudação ao homenageado. “Deixou saudosos de sua voz os mineiros da pequena cidade de Monte Carmelo, para aqui traçar uma história de sucesso e reconhecimento profissional”, contou, lembrando que Mariani chegou à Bahia com apenas 17 anos e se encantou com esta terra, o que foi confirmado pelo próprio mineiro, pouco depois, ao dizer que de todos os cantos do Brasil, é fundamental conhecer a Bahia.
COMBATIVO
Como Mariani disse que, no exercício da profissão, é importante saber separar o homem público da pessoa física e, como seu lado profissional já é por demais conhecido – trabalhou em todas as rádios AM de Salvador e em muitas FMs, tendo sido líder de audiência em várias ocasiões –, Marinho preferiu enfocar suas palavras no lado humano. Falou do pai de Andréia e Armando Mariani Filho, do marido de Marilandy, com quem é casado há 30 anos, e definiu: “Mariani é um homem de família”, levando uma vida feliz e equilibrada, “o que se reflete nitidamente no seu desempenho na profissão”.
Sobre o lado profissional, o deputado disse que “há mais de três décadas (ele) coloca o seu brilhantismo e competência a serviço do povo da Bahia. Com personalidade combativa, enfrentou os anos de chumbo da ditadura militar contribuindo para a construção de uma sociedade livre”, enfatizou. Para ele, “a sua trajetória na TV e rádio se confunde com a própria história da comunicação na Bahia”.
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