O deputado Hilton Coelho (PSOL) apresentou, na Assembleia Legislativa, uma moção de solidariedade aos atletas, árbitros, integrantes de delegações oficiais e torcedores que vêm sofrendo restrições migratórias, retenções arbitrárias e medidas discriminatórias durante a realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos. A iniciativa ocorre após uma série de denúncias envolvendo procedimentos considerados abusivos contra participantes do torneio, especialmente pessoas oriundas de países africanos, asiáticos e do Oriente Médio.
Entre os episódios que causaram indignação internacional está a abordagem realizada contra a seleção de Senegal. Vídeos divulgados por jornalistas e veículos de comunicação mostram jogadores e membros da comissão técnica sendo submetidos a uma fiscalização rigorosa ainda na pista do aeroporto, logo após o desembarque na Carolina do Norte. As imagens repercutiram mundialmente e levantaram questionamentos sobre tratamento discriminatório e seletivo por parte das autoridades norte-americanas.
Para Hilton Coelho, os acontecimentos representam uma afronta aos princípios que historicamente orientam o esporte como instrumento de integração entre os povos. “A Copa do Mundo deveria ser uma celebração da diversidade humana, da convivência entre culturas e da fraternidade entre as nações. O que estamos assistindo é a transformação de um evento esportivo global em palco para constrangimentos, discriminações e práticas incompatíveis com os direitos humanos”, afirmou o parlamentar.
Hilton destacou que os casos registrados não são isolados e atingem atletas, árbitros, dirigentes e torcedores de diferentes nacionalidades. “Há relatos de vistos negados, interrogatórios prolongados, retenções em aeroportos e abordagens humilhantes. Isso não pode ser naturalizado. Nenhuma pessoa deve ser tratada como suspeita apenas por sua origem nacional, étnica ou cultural”, declarou.
Hilton chamou atenção para o fato de que muitas das denúncias envolvem representantes de países historicamente alvo de preconceitos e barreiras geopolíticas. “Quando vemos atletas africanos sendo submetidos a revistas públicas e procedimentos vexatórios logo após desembarcarem para disputar a maior competição esportiva do planeta, é impossível não questionar os critérios utilizados. O combate ao racismo e à xenofobia exige vigilância permanente e posicionamento firme das instituições democráticas”, disse.
O parlamentar também criticou a postura das autoridades norte-americanas diante dos sucessivos relatos de constrangimento. “Os Estados Unidos receberam a responsabilidade de sediar uma Copa do Mundo. Isso implica garantir respeito, igualdade de tratamento e segurança para todas as delegações e torcedores. O que está ocorrendo compromete a imagem do evento e fere valores fundamentais do esporte internacional”, ressaltou.
Segundo Hilton Coelho, o futebol pertence aos povos e não pode ser utilizado como instrumento de segregação. “O futebol foi construído pela paixão popular, pela mistura de culturas e pela participação de povos de todos os continentes. Não aceitaremos que uma competição dessa dimensão seja marcada por práticas discriminatórias e pela criminalização de pessoas em razão de sua nacionalidade”, afirmou.
“Manifestamos nossa solidariedade a atletas, árbitros, delegações e torcedores atingidos por essas arbitrariedades. A Copa do Mundo deve ser um espaço de acolhimento, respeito mútuo e integração entre os povos, jamais um ambiente de exclusão, discriminação ou humilhação. Defender a dignidade dessas pessoas é defender os valores mais nobres do esporte e da humanidade”, concluiu Hilton Coelho.
Reportagem: Ascom
Edição: Franciel Cruz
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