A hora de almoço das terças e quintas-feiras é um dos momentos mais esperados da semana por Bernadete Aguiar, funcionária do setor de recursos humanos da Assembléia Legislativa. É que nesses dias, entre 12h e 13h30, acontecem os ensaios do Coral do Legislativo, na sala de treinamento da Divisão de Desenvolvimento de Recursos Humanos (terceiro andar do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães). “É um momento de muita descontração. Você volta relaxada e revigorada para o trabalho”, conta.
Quando entrou no coral, em 2002, Bernadete só cantava “no chuveiro”, como ela lembra. Aos poucos, no entanto, foi vencendo a timidez e evoluindo e hoje é uma das solistas do grupo, formado por 23 servidores da Assembléia, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e aposentados. Mas a nítida evolução nas técnicas vocais não foi a única coisa aprendida pela servidora nestes quase quatro anos de coral. “Acho que você aprende a se relacionar melhor em grupo, fica mais tolerante com as pessoas à sua volta”, arrisca.
Relatos assim são a tônica entre os integrantes do Coral do Legislativo. A aposentada Maria Ailda Lavigne, por exemplo, recorre ao dito popular “quem canta, os males espanta” para tentar explicar o efeito que os ensaios provocam nela. “Sempre gostei de cantar em serestas, o que fosse. Então, eu venho aqui com gosto, faço por amor”, diz, apontando ainda outro fator positivo: as relações interpessoais. “Aqui, fiz amizade, conheci muita gente”.
Mas é a maestrina Myryan Fontal, há 25 anos à frente do grupo, quem melhor explica as vantagens da participação. “O coral trabalha o psicológico, o social, a auto-estima, entre outros aspectos”. Ela conta que muitos dos integrantes entram tímidos, com grandes dificuldades de se apresentar em público. “Com o tempo, muitos deles começam a se destacar e a mostrar muita desenvoltura nas apresentações”, avalia.
As funcionárias do TCE, Ana Luiza e Lúcia de Fátima, fazem qualquer esforço para participar dos ensaios. Quando não arrumam carona, elas vêm andando pelo Centro Administrativo, muitas vezes debaixo do sol forte de meio-dia. Tudo para desfrutar dos momentos de prazer que, garantem, os ensaios coralinos proporcionam. “Isso aqui é ótimo. Para mim, é mais do que um lazer”, diz Luiza, que entrou no grupo há cerca de cinco anos. “O coral é uma terapia”, reforça Lúcia.
Agora, elas e os outros integrantes têm um motivo a mais para manter a assiduidade nos ensaios. É que, depois de amanhã, o Coral do Legislativo vai cantar na abertura oficial da Feira de Arte e Artesanato do Vale do Rio São Francisco, que acontece até o dia 17, em Bom Jesus da Lapa (oeste baiano). A expectativa em relação à viagem domina a maioria dos participantes. “Eu acredito que vamos fazer uma grande apresentação”, observa o aposentado Ildeafonso Anunciação dos Santos, que há 24 anos participa do grupo e, há algum tempo, se destaca como um dos solistas.
Por conta da apresentação e, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo grupo, a Mesa Diretora da AL adquiriu novos equipamentos para os ensaios e apresentações. São novos microfones, pedestais, caixas e mesa de som, além de instrumentos musicais como violão elétrico, pandeiro e de percussão. “Agora, contamos com toda infra-estrutura para se apresentar, inclusive em entidades filantrópicas que não teriam condições de fornecer esses equipamentos”, explica a chefe da Divisão de Desenvolvimento de Recursos Humanos, Marcyane Pirajá Moreira.
O coordenador do coral, Newton dos Santos Silva, aponta outro aspecto importante: ensina a trabalhar em equipe. “No coral, você desenvolve o sincronismo, ou seja, a pessoa tem que ouvir o outro, esperar o momento certo de entrar, enfim trabalhar em grupo”, diz ele, destacando também a desenvoltura que os coralinos ganham. “As pessoas que são mais tímidas ganham mais confiança para tratar com os chefes e outros colegas de trabalho”. Segundo Newton, qualquer servidor da Assembléia pode participar. E, para isso, não precisa necessariamente cantar bem.
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