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Governador sergipano agraciado com o título de Cidadão Baiano

Publicado em: 23/08/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

O Legislativo viveu, na terça-feira, uma noite de casa cheia, com a homenagem ao chefe do Executivo de Sergipe em sessão especial que contou com autoridades dos dois estados
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O governador de Sergipe, João Alves Filho, é o mais novo cidadão baiano. A honraria foi concedida em concorrida sessão especial realizada na noite de anteontem na Assembléia Legislativa, que contou com a participação do presidente do Legislativo, deputado Clóvis Ferraz (PFL), do governador Paulo Souto e de grande número de convidados e autoridades civis e militares dos dois estados.

O autor da homenagem, deputado Pedro Alcântara (PL), foi o primeiro a discursar, destacando “a satisfação” de ter apresentado o projeto, que concedeu a cidadania baiana “a nosso querido amigo”. O parlamentar aproveitou para fazer uma pequena biografia sobre a trajetória “do administrador que sempre defende propostas voltadas para o bem-estar do povo sertanejo”.

Para ilustrar sua argumentação de que o governador sergipano está sempre preocupado com as causas que mobilizam “os sertanejos”, o representante do PL lembrou a luta de João Alves contra o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, e citou a seguinte frase do próprio homenageado: “A transposição proposta é ilegal; socialmente injusta; politicamente desastrosa e provoca a desunião entre irmãos nordestinos”.

O deputado acrescentou que é falsa a idéia de que o projeto do governo federal trará a redenção, a fartura de água. “Eles vendem ao povo a ilusão de que o sentimento contrário à proposta nasce da crueldade, da falta de solidariedade daqueles que têm em abundância o precioso líquido da vida, mas eles mentem e escondem a verdadeira face da crueldade, que é a motivação do interesse pelo lucro que a construção da obra faraônica trará a alguns”, assegurou.

AGRADECIMENTO

E a luta contra a transposição do Velho Chico foi o tema principal do emocionado pronunciamento do chefe do Executivo sergipano. Logo após agradecer “a grande honra de receber o título de cidadão de uma terra onde foram fincadas as raízes da nossa brasilidade”, ele começou a falar sobre o “projeto que considero a maior ameaça que já se abateu sobre o Nordeste”.

João Alves Filho disse que na luta contra o projeto dedicou grande parte de seu mandato. “Me expus a uma luta terrível, onde consumi um tempo que chegou a ser maior do que o tempo em Sergipe. Fui obrigado a me expor em todos os debates. Me dediquei a escrever inúmeros artigos, palestras em várias assembléias, manifestações públicas, etc, na tentativa de inviabilizar este crime que estavam tentando cometer contra o Rio São Francisco e o povo nordestino”.

Apesar de reconhecer que “não foi nada agradável” enfrentar o próprio presidente da República e “poderosíssimos lobbies empresariais”, João Alves afirmou que “a luta valeu à pena”. “No início cheguei a ser ridicularizado, como o protagonista de uma luta quixotesca e hoje pago um preço enorme, mas faria tudo novamente”, garantiu.

LEMBRANÇAS

Além do relato da luta contra a transposição, o homenageado aproveitou para lembrar da época em que viveu em Salvador, onde estudou, no início da década de 60, na Escola Politécnica da Ufba. “Além de aprender o conhecimento, assimilei com o povo o humanismo cultural da Bahia. Foi aqui que conheci homens do saber, da experiência e do conhecimento do professor Edgard Santos”, afirmou, destacando em seguida como seus “grandes amigos” na Bahia os senadores Antonio Carlos Magalhães e César Borges e o governador Paulo Souto.

Ao encerrar a solenidade, o presidente da Assembléia, Clóvis Ferraz, declarou que era “uma honra para a Bahia e seu Poder Legislativo conceder o título de cidadão a um homem que sempre pautou por ideais de justiça social e desenvolvimento do Nordeste”.



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