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Mostra de arte sacra é aberta na Assembléia

Publicado em: 15/08/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

Amenair Silva (chefe de gabinete da presidência) e Aloísio Dórea na abertura da exposição
Foto:

São Pedro, Nossa Senhora Santana, Nossa Senhora da Conceição, Santo Antônio, Santa Bárbara. Esses são apenas alguns dos santos cujas imagens estão expostas no hall de entrada da Assembléia Legislativa da Bahia – Saguão Josaphat Marinho. As esculturas, feitas em gesso estuque, são do estilista e artista plástico Júlio César Habib, 51 anos, que há 15 começou a fazer réplicas de peças sacras do barroco brasileiro. “Essas réplicas contam um pouco de nossa história”, diz Habib, lembrando que as imagens de santos trazidas pelos portugueses são as primeiras obras de arte do Brasil.

A abertura da exposição aconteceu por volta das 12h30 de ontem. Para o superintendente de Recursos Humanos da AL, Aloísio Dórea, o Parlamento estadual também deve se voltar para a cultura e para a arte. “Já fizemos exposições de artistas da Casa e de artistas de fora também”, disse, anunciando uma nova exposição para setembro. “Também deverá ser de arte plástica, mas ainda não definimos o artista”, explicou o superintendente, que participou da abertura da mostra. “É a história de nosso povo que está aí”, observou.

As peças expostas na AL têm tamanhos variados, sendo que as maiores ultrapassam 1,10 metro de altura. Os preços podem ser considerados salgados (as mais caras custam entre R$ 5 e R$ 6,5 mil), mas Habib garante que, se bem cuidadas, são obras para toda vida. “Existem peças em gesso expostas no Museu de Louvre (França) que têm centenas de anos”, diz o artista plástico, fazendo uma comparação das peças em gesso estuque e cristal. “Assim como o cristal, o gesso estuque não é fabricado, vem da natureza. E se o cristal cair, também vai se quebrar”, exemplifica.

Júlio César Habib explica que as imagens maiores levam de dois a três meses para serem concluídas. O primeiro passo é tirar fotografias das imagens que serão copiadas. Depois, o artista começa a moldar as peças, que têm estrutura metálica, com gesso esculpe e revestimento em resina. O próximo passo é a pintura que, em algumas peças, chega a ter 12 itens diferentes. A maioria é policromada, ou seja, leva pintura dourada. “O ouro é alemão e italiano”, esclarece.

A exposição na Assembléia vai durar pelo menos 15 dias. Segundo a coordenadora do evento, Maritza Novato, da Divisão de Desenvolvimento de Recursos Humanos, Júlio César Habib já fez exposições em diversos locais, inclusive na Câmara de Deputados, em Brasília. Ela acredita que a mostra movimentará a Casa legislativa.

Na avaliação de Habib, a exposição não deve ser apreciada apenas com o senso estético, mas também com um olhar que remeta à história da Bahia. “Essas réplicas de arte sacra têm a função também de resgatar a história do nosso país, já que o Brasil nasceu na Bahia”, diz. Diferentemente das réplicas, as peças originais eram feitas em madeira de cedro, que além de leve não atrai cupins por ser “amarga”.

Habib lembra da importância, por exemplo, do escultor baiano Francisco Manoel das Chagas, conhecido como “O Cabra”. Artista baiano da primeira metade do século XVIII, ele era negro e teve o nome guardado pela tradição oral, apesar das escassas informações sobre sua biografia e carreira artística. Sabe-se, com certeza, que ele foi autor de três imagens encomendadas pela Mesa da Ordem Terceira do Carmo, em 1758: Cristo com a Cruz, Cristo sentado na Pedra e Cristo Crucificado. “Ele foi o maior escultor baiano”, acredita o artista.

Nesses 15 anos, Habib já produziu cerca de três mil peças. Algumas delas, por encomenda, a exemplo da imagem de Nossa Senhora da Conceição, que atrai a curiosidade de baianos e turistas na parte de cima do Elevador Lacerda. Mas a escultura feita por encomenda que mais orgulha o artista e estilista baiano foi a imagem de São Judas Tadeu, feita para uma igreja de Jequié. Ele conta que a imagem tinha 1,65 metro, a mesma altura do padre que encomendou a peça. “Um garoto passou por ela e perguntou se era de verdade”, conta Habib, orgulhoso.



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