No mês de julho último foram desperdiçados exatos 1.040 quilos de alimentos no restaurante da Assembléia Legislativa, uma média de 65 quilos por dia. Isto é conseqüência dos restos de comida que são deixados nos pratos por pessoas que colocam uma quantidade maior do que consegue comer. “Esta quantidade de alimentos desperdiçados, pouco mais de uma tonelada, daria para satisfazer as necessidades de mais de 1.300 pessoas que passam fome”, alerta a nutricionista Terezinha Raposo, conclamando os comensais a uma “maior conscientização”.
A situação, porém, já foi muito pior. No mês de março, o desperdício era de 114kg/dia ou 114 gramas por pessoa, já que, em média, almoçam cerca de mil pessoas no Bandejão. “De lá pra cá, fizemos um corpo-a-corpo com as pessoas, salientando sobre a importância de não desperdiçar alimentos e com isso conseguimos uma redução significativa”.
As palavras de ordem da campanha de conscientização são as seguintes: “O consumo é livre, mas o desperdício deve ser controlado”. Terezinha Raposo destaca que é preciso que as pessoas “não encham o prato até transbordar”, pois qualquer um poderá repetir, caso seja necessário e sinta fome. “Por uma questão contratual, apenas carnes e sobremesa não podem ser repetidas, o resto pode. E vale ressaltar que carne nunca sobra. O que sobra é exatamente a parte de alimentos que podem ser repetidos. Portanto, é essencial que a pessoa coloque apenas o que pode comer”.
PROBLEMA NACIONAL
A nutricionista lembra que o problema de desperdício e da falta de consciência social não se restringe à Assembléia, mas é “um problema cultural de todo o país”. Ela comentou que, em 2001, o Brasil era o quarto produtor mundial de alimentos e, no entanto, ocupava a sexta colocação em subnutrição. “O desperdício de alimentos ocorre desde a colheita, passando pelo transporte, comercialização, armazenamento e preparo. Segundo técnicos da área, da agricultura, 30% do que é produzido não chega à mesa do consumidor”.
A economia no consumo de alimentos, prossegue Terezinha Raposo, atinge também outras situações. “Para se preparar uma refeição, gastam-se em média 25 litros de água, além de energia elétrica e gás. Portanto, o desperdício de alimentos prontos significa muito mais que os alimentos no lixo”.
Outros problemas importantes, segundo a nutricionista, são a proliferação de doenças, a poluição visual e o mal cheiro, com riscos para a saúde da população e danos para o meio-ambiente.
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