“A Bahia perde um dos nomes mais importantes e revolucionários do cenário intelectual moderno. Quarenta anos dedicados a novelas, romances, contos e crônicas marcaram a carreira desse extraordinário ser humano que ora deixa o nosso convívio”, afirmou o deputado Luciano Simões (PMDB) em moção de pesar pela morte de Guido Guerra.
O intelectual baiano nasceu em 19 de janeiro de 1943, em Santa Luz, e viveu boa parte da infância em Senhor do Bonfim. Foi jornalista, romancista, cronista, “amigo irônico e direto”, como descreveu Luciano. “Ele fazia parte da geração que, ao mergulhar de cabeça no jornalismo de esquerda, incomodava pela sutileza, irreverência e perspicácia analítica com que narrava fatos e criava crônicas”, observou o deputado, concluindo: “Com Guido, não existiam meias-palavras”.
Guido era membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) desde 2001, destacando-se pela “grande figura humana que era e pela qualidade de sua produção literária iniciada na década de 60”. Para Luciano, ele se destacou na literatura como prosador, tanto no romance e no conto, como no jornalismo.
O primeiro emprego de Guido foi no jornal Folha da Bahia. Depois, trabalhou na reportagem do Jornal da Bahia e Diário de Notícias. Em 1965, lançou seu primeiro livro e logo ganhou a admiração do escritor Jorge Amado. Depois, vieram outros como As Aparições do Dr. Salu, Lili Passeata, Vila Nova da Rainha Doida, Quatro Estrelas no Pijama e Último Salão Grená.
Em seu último livro, Noite dos Coronéis, voltou a se aproximar do jornalismo, reunindo uma coletânea de entrevistas feitas com 37 personalidades da vida social e política da Bahia. O livro foi lançado em 2005, numa parceria da Academia de Letras da Bahia com a Assembléia Legislativa.
“Como imortal da Academia de Letras da Bahia, não perdeu o ar de brincalhão e simples. Ele quebrou um pouco o perfil acadêmico com a irreverência, ironia e espontaneidade”, afirmou Luciano. “A busca por novos valores e por melhores condições de vida no país se refletia nas suas crônicas, sempre atentas ao cotidiano da sua comunidade e povoadas por uma crítica irônica e sarcástica”, concluiu o autor da moção.
REDES SOCIAIS