A deputada Lídice da Mata (PSB) não deixou para depois. Ainda sob o efeito da dor da morte de Guido Guerra, ocorrida na quarta-feira, ela apresentou sua moção de pesar, mostrando que a cultura e o jornalismo baianos ficaram órfãos de um de seus melhores representantes. "Guido, à maneira de um enfant terrible, não temia as palavras tampouco os palavrões para melhor caracterizar os seus personagens ou descrever com exatidão uma situação qualquer", definiu a parlamentar. Ela comparou seu estilo vigoroso e irreverente de escrever ao do poeta Gregório de Mattos e Guerra.
"Com o desaparecimento de Guido Guerra, aos 63 anos de idade, interrompeu-se uma intensa e profícua vida dedicada ao jornalismo e à literatura, atividades que desenvolveu com sensibilidade e raro talento", disse Lídice. O escritor era membro da Academia de Letras da Bahia e um entusiasta e aguerrido defensor do livro baiano, "motivo porque estava permanentemente preocupado com o movimento literário, em especial com a produção, distribuição e consumo das obras de autores baianos."
Na moção, a parlamentar historiou um pouco a vida de Guido, que deixou, além da esposa Celi Guerra, a filha Isadora Guerra. Ela conta que a carreira jornalística se iniciou no antigo Diário de Notícias. Na década de 70, trabalhou no Jornal da Bahia e na Tribuna da Bahia e, nos anos 80, no extinto jornal Bahia Hoje. "Notabilizou-se como hábil entrevistador e, por coincidência, seu último livro publicado, A Noite dos Coronéis, lançado em dezembro de 2005, reúne 37 entrevistas realizadas no anos de 1986 e 1987", disse.
A parlamentar lembra também que, em função do estilo irreverente, ganhou o apelido de "Papagaio Devasso". Ela citou ainda uma entrevista que o homenageado concedeu ao jornal A Tarde, em que se autodefiniu como "fundamentalmente um jornalista que também produziu e escreveu contos, novelas, romances, textos teatrais e ensaios". Guido é autor de mais de uma dezena de livros, englobando vários gêneros literários. Fez parte da geração de escritores baianos pós-Jorge Amado, em que também despontou João Ubaldo Ribeiro.
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