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Ferraz manifesta consternação e exalta obra de Guido Guerra

Publicado em: 08/06/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

Guido e Ferraz cumprimentam-se no lançamento do livro 'A Noite dos Coronéis', em 13/12/2005
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Através de uma moção de pesar, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Clóvis Ferraz (PFL), decidiu imortalizar nos anais da Casa seu sentimento de consternação com a perda do escritor e cronista Guido Guerra, ocorrida no amanhecer do último dia 7. No vasto documento, já protocolado na Secretaria Geral da Mesa, o parlamentar faz uma emocionada viagem pela trajetória do escritor.

Ele relata que Guido José da Costa Guerra nasceu em 19 de janeiro de 1943, na cidade de Santa Luz, e viveu boa parte da infância em Senhor do Bonfim, onde seu pai, o futuro desembargador Adolfo Leitão Guerra, foi juiz de Direito.

Ainda menino, transferiu-se para a capital, cursando o primário na Escola Ana Nery, em Nazaré, bairro onde passou a residir”, conta, acrescentando que ele foi também aluno do Ginásio Ipiranga, do Colégio Aplicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e do Colégio Estadual da Bahia (Central), onde iniciou o curso Clássico, mas não concluiu.

Quanto às atividades profissionais, Clóvis Ferraz informa que Guido Guerra começou nas redações de jornais. “Inicialmente, no Jornal da Bahia e, por volta de 1962, no Diário de Notícias. No mesmo ano, escreveu no semanário Folha da Bahia, jornal da esquerda, dirigido por Ariovaldo Matos e Jacob Gorender, o qual seria fechado pelo regime militar”, destaca.

PRECOCE

Clóvis Ferraz lembra que com apenas 19 anos Guido Guerra já era um jornalista respeitado, assinando sua própria coluna, “fato raro ainda hoje”. “Sua inquietação, sua ousadia e, sobretudo, seu domínio da escrita abriram os caminhos do jornalismo para ele que foi o irreverente guardião dos maus costumes, o Papagaio Devasso, o Língua de Trapo”, diz o autor da moção, lembrando que por “sua irreverência” acabou respondendo vários inquéritos no regime militar.

Sobre este Guido “ousado”, Clóvis destaca que Jorge Amado escreveu o seguinte: “Guido persistia no uso e abuso de termos e locuções pouco católicas, ganhara o apelido de Papagaio Devasso pela crueza de estilo, fazia sucesso junto aos leitores. Esse imprudente aparecera com seu jeito canhoto nas rodas literárias, feio, despenteado, as calças ameaçando desabar, abria caminho a toque de caixa, a golpes de tacape, verve e ousadia. Eu acudira, nem sei porque a uma tarde de autógrafos, o dito cujo lançava seu primeiro livro de crônicas. Apostei no neófito e ele correspondeu à aposta, o cronista cresceu, dele nasceram o contista e o romancista”.

A partir de 1977, prossegue o presidente da AL, Guido retorna ao Jornal da Bahia, onde assina a coluna “Nariz de Cera”, transferindo-se em seguida para a Tribuna da Bahia, como redator principal da coluna “Roda Viva”. Nos anos 80, torna-se editorialista e colunista do Jornal da Bahia, funções que deixa mudando-se para o Bahia Hoje.

O ficcionista, o criador de mundos e criaturas, também é lembrado por Clóvis Ferraz, que ressalta o primeiro livro de contos, Dura Realidade, escrito em 1965, aos 22 anos. “Depois vieram as crônicas de Na Casa do Sem Jeito (1969), as novelas Fogo Pagô (1971) e As Aparições de Dr. Salu (1973). Em 1976, estréia como romancista em Percegonho Céu Azul do Sol Poente e, dois anos depois, publica Lili Passeata, um de seus romances mais festejados”, relata Clóvis, acrescentando que em 1984 Guido Guerra se transferiu para a editora Record, no Rio de janeiro, ganhando projeção nacional. Nesta nova casa publica Ela se Chama Joana Felicidade (1984), Quatro Estrelas no Pijama (1989), O Último Salão Grená (1992), o ensaio-reportagem Vicente Celestino, o hóspede das tempestades, e Vila Nova da Rainha Doida.

INTEGRIDADE

Em 2003, aos 60 anos, foi homenageado por vários amigos que “reuniram no volume Auto-Retrato momentos exemplares da magistral arte narrativa de Guido Guerra”, observa Clóvis Ferraz, relembrando que “o destino quis que seu último livro publicado em vida, A Noite dos Coronéis, fosse editado por esta Assembléia Legislativa em parceria com a Academia de Letras da Bahia”.

Ferraz assinala que por seus “feitos literários e jornalísticos, ocupou em 29 de novembro de 2001 a cadeira nº 5 da Academia de Letras da Bahia e, em 2002, tomou posse como conselheiro do Conselho Estadual de Cultura. “Escritor consagrado na difícil e generosa arte de compreender o ser humano nas suas infinitas misérias e grandezas, Guido Guerra era um homem simples e íntegro, pleno de ternura e solidariedade”, arremata o presidente do Legislativo baiano.



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