MÍDIA CENTER

Comissão de Educação vai lutar para reerguer escolas agrotécnicas

Publicado em: 06/06/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

Audiência que discutiu a difícil situação das escolas de agricultura na Bahia, presidida por Rodrigues, foi proposta por Zé das Virgens
Foto:

A Assembléia Legislativa, através da Comissão de Educação, Esportes e Serviços Públicos, vai lutar pela melhoria das condições de estrutura e ensino nas escolas agrotécnicas da Bahia. A decisão foi tomada ontem na audiência pública promovida pelo colegiado por solicitação do deputado Zé das Virgens (PT). Como medidas práticas e imediatas, ficou acertada uma reunião dos deputados com os dirigentes da Secretaria da Educação do estado (SEC) para aprofundar o estudo sobre o tema, além de uma audiência com a SEC para a entrega de documento oficial contendo as resoluções do evento.

A princípio, o tema do encontro, comandado pelo presidente da comissão, Antonio Rodrigues (PFL), seria a expansão, qualidade de ensino e revitalização desses estabelecimentos escolares, mas o debate central ficou pautado na discussão sobre o processo de revitalização.

O primeiro a se pronunciar foi exatamente o proponente da sessão, Zé das Virgens. Ex-aluno da Escola de Agricultura da Região de Irecê (Esagri), o petista disse que “como cidadão e técnico agrícola não poderia se furtar a este debate”. E, realmente, ele não se furtou, apresentando posições firmes sobre o tema. “É inaceitável a situação das escolas agrotécnicas da Bahia”, bradou.

Para ilustrar seu argumento, ele utilizou o exemplo da Esagri. “É uma escola que nunca teve transporte, nunca passou por uma reforma desde a fundação e que recebe apenas R$ 4 mil por ano”. Para mostrar a incongruência da situação, o parlamentar lembrou que a região de Irecê sediou recentemente a maior feira de agricultura familiar do Norte e Nordeste do Brasil, a Agrifam.

SITUAÇÃO DRAMÁTICA

Como é possível que uma região que abriga um evento deste porte tenha uma escola agrícola nestas condições?”, indagou. Ao destacar que a Esagri é fundamental para o desenvolvimento da região, Zé das Virgens sugeriu que fosse formada uma comissão para estabelecer o diálogo com os órgãos governamentais para tentar resolver o “impasse atual”. Para se ter uma idéia da gravidade, o professor da Esagri, Hoel Carneiro da Silva, informou que a escola está sem direção no momento.

Situação semelhante à de Irecê em dramaticidade é a de Ipiaú. Segundo Joelton Souza, representante da Escola Agrotécnica Estadual Chico Mendes, atualmente existem mais de mil alunos em 22 turmas e apenas oito professores. “A nossa escola é a que está em pior situação”, denunciou.

Ao ouvir relatos tão dramáticos, a superintendente de Desenvolvimento da Educação Básica da SEC, Eliana Guimarães, afirmou que vai enviar uma técnica da secretária para verificar in loco os problemas e buscar solucioná-los. A representante governamental aproveitou ainda para, através de slides, fazer um histórico sobre a evolução das escolas agrotécnicas na Bahia e no Brasil. Ela destacou que não existem “soluções imediatistas”, mas reconheceu que os recursos atualmente “são poucos”. “Na própria secretaria estamos discutindo esta questão”, garantiu.

EMOÇÃO

O tom emocionante da reunião foi dado por Diva Castilho, diretora da Escola Sérgio de Carvalho, em Vitória da Conquista. Após lembrar que há 26 anos estava “na luta em prol da educação”, ela interrompeu seu discurso por causa das lágrimas que não conseguiu conter. “Nós continuamos acreditando no sonho da educação pública, que deve estar acima das cores partidárias”, proclamou, acrescentando que na escola que dirige não há recursos nem para a compra de alimentos para os animais. Diva Castilho defendeu ainda a tese de que é preciso “revitalizar as escolas já existentes antes de se pensar na expansão da rede”.

Auxiliadora Lemos, diretora da escola de Amargosa, também reclamou da falta de recursos. “Estamos com dificuldades de manutenção e com problemas também para a contratação de professores”. Ela disse ainda que os projetos desenvolvidos nestas escolas “são importantíssimos”, pois ajudam a combater o êxodo rural. A representante de Juazeiro, Cecília Lorenzo, reafirmou a profissão de fé na escola pública de qualidade.

BONS EXEMPLOS

Nem tudo, porém, foi queixa no evento de ontem. O diretor da escola de Feira de Santana, Pedro Carlos, discorreu sobre a experiência “diferenciada” da localidade, que trabalha com o apoio e parceria de organizações sociais. “Isto permitiu que nós fizéssemos uma revitalização inicial. Temos boa estrutura e temos que ter um compromisso com a auto-sustentabilidade”.

A escola de Jeremoabo, segundo a diretora Maria Janice, também não tem “grandes problemas”. “Estamos funcionado há apenas dois anos. Trabalhamos no regime de alternância, com o aluno 30 dias na escola e 30 dias no campo. Todo o nosso custeio é feito pelo estado”, informou.

Além de outros técnicos governamentais, os deputados Pedro Alcântara (PL), Gilberto Brito (PL) e os petistas Zilton Rocha e Waldenor Pereira também se pronunciaram sobre a questão.



Compartilhar: