A dislexia é uma dificuldade de aprendizagem relacionada à linguagem que atinge um grande número de estudantes em todo o mundo. Esse distúrbio está por trás de muitos casos de fracasso e evasão escolar. Mas agora essa situação pode mudar: o deputado J. Carlos (PT) apresentou um projeto de lei que prevê obrigatoriedade do estado implantar, em 120 dias, o Programa de Identificação e Tratamento da Dislexia na rede oficial de ensino.
De acordo com o projeto, os educadores deverão ser capacitados para que tenham condições de identificar os sinais da dislexia e de outros distúrbios. Caberá à Secretaria Estadual de Educação a formulação de diretrizes para viabilizar a plena execução do programa. É proposta a criação de equipes multidisciplinares, com profissionais das áreas de psicologia, fonoaudiologia e psicopedagogia, que ficarão responsáveis pela prevenção e tratamento da doença.
“Ao contrário do que muitos acreditam, a dislexia não é resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição socioeconômica ou baixa inteligência. É uma condição hereditária, com alterações genéticas, apresentando ainda mudanças no padrão neurológico”, observou o parlamentar petista na justificativa do projeto. Para J. Carlos, o despreparo de professores, pais e gestores educacionais contribuem para que a dislexia atrapalhe o aprendizado dos alunos.
“Por tudo isso, a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar”, observou ele, explicando que esse tipo de avaliação dá condições para um acompanhamento mais efetivo, direcionado às particularidades de cada indivíduo. “Os sintomas que podem identificar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem”.
J.Carlos salienta que atualmente a imensa maioria da rede educacional pública e particular não está capacitada para o desafio. Daí a importância, acredita ele, de se criar nas escolar um programa efetivo que capacite os professores a identificar esses distúrbios, crie equipes multidisciplinares para realizar uma avaliação precisa e garanta o acompanhamento profissional necessário.
“Dessa forma, estaremos garantindo que milhões de crianças e jovens em idade escolar tenham condições de corrigir um distúrbio, que restringe sua capacidade de aprendizado. Estaremos abrindo as portas para que eles tenham um futuro sem traumas, de sucesso profissional e com qualidade de vida”, concluiu o autor do projeto.
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