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Aldo relembra baianos notáveis

Publicado em: 26/05/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

O presidente da Câmara Federal, em companhia de Eraldo Tinoco, chega ao plenário conduzido por uma comissão de deputados
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O presidente da Câmara dos Deputados e novo cidadão baiano, Aldo Rebelo (PCdoB), transformou seu discurso de agradecimento em uma verdadeira aula de história, lembrando personagens que marcaram a vida econômica, política e cultural da Bahia.

Antes de começar a viagem pelos “ícones da Bahia”, o comunista contou uma história de Carybé, artista argentino radicado no estado. “Ao ser indagado se era baiano, respondeu com o jeito gracioso que aqui assimilou: não, minha senhora. Não mereci”, relatou, acrescentando que “o berço do Brasil, semente da nação, pólo precursor desta grande civilização, é uma espécie de segundo estado de quem não teve a felicidade de aqui nascer”.

Ao afirmar que ser cidadão baiano é ser conterrâneo de grandes figuras, ele passou a enumerá-las, começando por Gregório de Matos, “nosso primeiro poeta”, e frei Vicente do Salvador, “o primeiro historiador”. E prosseguiu: “É dividir a honra de uma linhagem com músicos inexcedíveis, de Baiano, astro do primeiro disco brasileiro, a João da Baiana, que introduziu o pandeiro no samba; de Assis Valente e Dorival Caymmi aos pioneiros da Bossa Nova, com João Gilberto à frente, além dos inovadores tropicalistas e Raul Seixas”.

A trajetória de luta dos baianos foi lembrada por Aldo nas figuras de Maria Quitéria, Cipriano Barata e Luís Gama, “abolicionista e republicano jacobino, que lutou por um país sem rei e sem vassalos”.

No campo político, o homenageado destacou Ruy Barbosa, “um dos maiores brasileiros”, Nestor Duarte, Otávio Mangabeira, Hermes Lima, Carlos Marighela e Maurício Grabois.

Em sua lista, o presidente da Câmara não esqueceu os “ativistas culturais”, falando, entre outros, de Manuel Botelho de Oliveira, o primeiro autor nascido no Brasil e que teve um livro publicado, Castro Alves, Adonias Filho, Jorge Amado, Glauber Rocha e Dias Gomes.

LUTAS

Mais do que pessoas e símbolos, Aldo Rebelo fez questão de ressaltar as batalhas da Bahia, que conquistou a liberdade e a soberania com “audácia e sangue”. “Aqui foram semeadas sementes da República e da Abolição dos Escravos, seja a conjuração conhecida como Revolta dos Alfaiates, seja a Sabinada”, disse, afirmando que a Bahia valoriza estas lutas, a exemplo também “do glorioso 2 de Julho, e dá um raro exemplo de civismo e exaltação da verdade histórica”.

No final do discurso, Aldo Rebelo saiu do script e falou de improviso. “Sempre carreguei pela Bahia a mais profunda afeição”. A partir de então, passou a listar alguns fatos que o ligam ao estado. “O meu primeiro time foi o Galícia, que é um time da Bahia. Ainda estudante, em 1975, decidimos fazer uma viagem e escolhemos Salvador, por unanimidade”, contou.

Aldo Rebelo observou que, já em São Paulo, assim que conheceu a sua esposa, decidiu fazer a primeira viagem juntos para a Bahia, na qual percorreu muitos lugares, como as regiões de Ilhéus, Canudos e Juazeiro. Ao arrematar seu pronunciamento, visivelmente emocionado, declarou: “Este título não acrescenta o amor que tenho pela Bahia, mas aumenta a minha honra e minha responsabilidade. Procurarei com todo o meu esforço da alma estar à altura desta honraria e levarei por toda a minha vida esta emoção de pertencer à Bahia”.



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