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AL homenageia Fernando Sant'Ana

Publicado em: 19/05/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

O velho comunista (entre Álvaro e Walmir) recebe o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e Justiça Social João Mangabeira
Foto:  

Ainda enlutada pela morte do ex-deputado Aristeu Nogueira, a Assembléia Legislativa realizou sessão especial ontem para conceder o Título de Cidadão Benemérito da Liberdade e Justiça Social João Mangabeira ao ex-deputado federal Fernando Sant'Ana. Sendo ambos contemporâneos, comunistas, correligionários do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e conterrâneos do município de Irará, a correlação entre ambos era inevitável e foi lembrada pelo deputado Walmir Mota (PPS), autor da proposta de homenagem, junto com seu companheiro de partido, Padre Joel.

Fernando Sant’Ana adentrou o plenário sob aplausos, acompanhado por uma comissão de recepção designada pelo presidente da sessão, deputado Álvaro Gomes (PCdoB), composta pelos próprios Walmir e Padre Joel e mais Eliana Boaventura (PP) e Lídice da Mata (PSB). Ainda estiveram em plenário - e fizeram questão de abraçar o decano do PCB - os deputados Aderbal Caldas (PP) e Eliel Santana (PSC). Esta foi a primeira vez que a Assembléia concede este título honorífico, criado em 1993.

A cerimônia foi rápida e Fernando Sant'Ana, 91 anos, optou por fazer um pronunciamento curto, em que deixou patente a sua satisfação pelo reconhecimento público. Ele disse que seria impossível esquecer aquele momento. “Quero dizer que procurei sempre servir o meu país, sem me preocupar com meus próprios interesses”, afirmou. Ele revelou ainda sua absoluta e certa convicção de que o Brasil “vai chegar a ser uma grande nação e respeitado por todos os povos”. Para ele, o país vai se tornar o líder da América Latina, “sem submissões”.

ERA DOS EXTREMOS

No discurso em que rendeu homenagens a Fernando Sant’Ana, Walmir Mota o definiu como “um homem que encarnou a história, as lutas, as derrotas e as glórias do nosso tempo”. Para o parlamentar, “com seu indefectível terno branco de linho e bigode escovinha, o velho socialista lembra um vibrante painel das lutas e dos desafios de boa parte do povo brasileiro, aquela parte que sempre pregou a justiça, a democracia e a liberdade”.

Citando o historiador marxista inglês Eric Hobsbawn, autor do livro “A Era dos Extremos, Breve Século XX”, Walmir Mota afirmou que Fernando Sant’Ana viveu entre os extremos, a divisa ideológica entre os blocos capitalista e socialista, que suscitou muitos conflitos armados e terminou junto com a Guerra Fria, a queda do muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética.

Segundo o deputado, “Fernandão”, como o velho político e militante é carinhosamente chamado pelos companheiros mais próximos, foi uma testemunha privilegiada dos acontecimentos mais importantes do século XX, no Brasil e no mundo. “Aqui”, enumerou, “ele viu a Revolução de 30, o Estado Novo, o suicídio de Getúlio Vargas, participou da campanha pelo monopólio estatal do petróleo, sofreu com o golpe militar de 1964, lutou pela redemocratização, aderiu à campanha das Diretas Já, comoveu-se com a agonia e morte de Tancredo Neves e ajudou a elaborar a Constituição de 1988, dentre outros acontecimentos”.



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