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Assembléia e Academia editam outro livro de Pedro Calmon

Publicado em: 15/05/2006 00:00
Editoria: Diário Oficial

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O livro Figuras de Azulejo, do historiador Pedro Calmon, co-editado pela Assembléia Legislativa e pela Academia de Letras da Bahia (ALB), terá sua terceira edição. As duas instituições conveniadas já autorizaram a Empresa Gráfica da Bahia a fazer a impressão. Esse livro do profícuo autor baiano estava sem nova edição há mais de 50 anos. A obra, publicada pela primeira vez no final da década de 1930 pela editora do jornal A Noite, do Rio de Janeiro, reúne 37 perfis e cenas da História do Brasil.

A Assembléia Legislativa, em convênio com a Academia de Letras, publicou nos últimos anos dois outros livros de Pedro Calmon. Em 1998, comemorando o recente cinqüentenário de A bala de ouro, as duas instituições prepararam a segunda edição, ilustrada, cuja tiragem logo se esgotou. O livro conta a trágica história de Júlia Fetal, cujo assassinato permanece na memória do povo da Bahia há mais de 150 anos. Em 2002, a Assembléia e a Academia publicaram a segunda edição de Malês, a insurreição das senzalas, obra que retira do esquecimento personagens como Luiza Mahim e seu filho Luiz Gama, que, em São Paulo, se tornaria um dos abolicionistas mais atuantes.

A capa de Figuras de Azujelo foi ilustrada pelo artista plástico Bel Borba, baiano que alcançou reconhecimento internacional pela arte urbana que o distingue entre os muitos talentos de Salvador. Ele preparou para o livro de Pedro Calmon um azulejo inspirado no primeiro capítulo da obra, dedicado à sóror Vitória da Encarnação, uma recolhida ao Convento do Desterro no século XVII, a quem Pedro Calmon intitula Santa do Brasil. A capa e as guardas de A bala de ouro foram ilustradas por Gentil, cujo traço apurado abrilhanta edições de A Tarde; a capa de Malês é da designer Goya Lopes, criadora das estampas da cadeia de lojas Didara.

LITERATURA HISTÓRICA

O jornalista Jorge Calmon, imortal da Academia de Letras da Bahia e irmão do autor de Figuras de Azulejo, assina a apresentação da nova edição do livro e explica que esse “se inclui entre aqueles qualificados como de literatura histórica, nos quais o autor, um dos mais importantes historiadores brasileiros, afasta-se por algum tempo do estilo sóbrio característico dos narradores para excursionar pela literatura histórica, que permite as sortidas da imaginação, sem afastar-se demasiado da realidade. E é esta engenhosa combinação, entre o verdadeiro e o imaginário, o que faz do presente livro uma das mais apreciadas obras do autor, conforme comprovaram as duas primeiras edições, que se esgotaram rapidamente”.

Figuras de Azujelo é o 26º título da vasta bibliografia de Pedro Calmon. Cerca da terça parte dos 37 capítulos é dedicada a temas da Bahia. Há alguns textos referentes à Guerra do Paraguai; e perfis, dentre outros, de Pedro I, 8º conde dos Arcos, marechal Pierre Labatut, padre Manoel da Nóbrega e visconde de Mauá. Também jornalista, o historiador Pedro Calmon, em vários textos, ilumina detalhes que a outros passaria despercebido. Os títulos dos capítulos são outros achados: “Os amigos brasileiros de Bocage”, “O último vice-rei”, “O homem do Ipiranga e do Porto”, “A gloriosa manhã de Riachuelo” ou “De Castro Alves a Machado de Assis”.

A ortografia do texto da 3ª edição de Figuras de Azujelo foi atualizada pela revisora Cristina Cardoso, que, ademais, providenciou o glossário de palavras cujo uso tornou-se muito raro. Além do glossário, acrescentou-se a bibliografia do autor, elaborada pelo acadêmico Waldir Freitas Oliveira. Há, também, oito páginas de fotografias coloridas afins com os capítulos. Parte da tiragem da obra será entregue à Academia de Letras para comercialização. O restante será distribuído pela Assembléia Legislativa, sobretudo para bibliotecas baianas, brasileiras e estrangeiras.

BIOGRAFIA

Pedro Calmon Moniz de Bittencourt foi professor, político, historiador, ensaísta e orador. Nasceu em Amargosa, na Bahia, em 23 de dezembro de 1902, e morreu no Rio de Janeiro, em 16 de junho de 1985.

De 1927 a 1930, foi deputado estadual da Bahia e, em 1935, foi eleito deputado federal. Em seguida foi ministro da Educação e Saúde (1950-1951) no governo do presidente Gaspar Dutra.

Ocupou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e, em 1948, ascendeu à Reitoria da Universidade do Brasil. Pela atividade no magistério superior, recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Doutor honoris causa das universidades de Coimbra, Quito, Nova Iorque, de San Marcos e da Universidade Nacional do México; e Professor Honorário da Universidade da Bahia.

A partir de 1923, Pedro Calmon publicou, conforme a Academia Brasileira de Letras, cerca de 60 obras, nas áreas de Biografia e Literatura Histórica; História e Direito. São encontradas também contribuições na Revista da Academia Brasileira de Letras e na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, além de crônicas na revista O Cruzeiro.




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